Limites entre estética e saúde
Enviada em 04/01/2021
No final do século XIX, a sociedade brasielira passou por um processo de europeização, ou seja, a imitação da cultura europeia definida como perfeita e o certo a se seguir. No entanto, com o passar do tempo e os avanços na medicina, a população agora vem seguindo um padrão estético, por meio de cirurgias plásticas, também idealizados como perfeito. Nesse sentido, é preciso entender que a idealização incessante de um corpo perfeito pode prejudicar a saúde física e mental.
Nesse contexto, segundo o sociólogo, Weber, ação social é uma ação individual ocorrida por causa do comportamento do outro. Relacionado a isso, no mundo das redes sociais, as influenciadoras digitais que aparecem divulgando os seus procedimentos estéticos como algo simples, fácil e acessível, influenciando os seus seguidores a desejar o mesmo ato. É nesse âmbito que acontece o problema, isto é, a normalização que as pessoas fazem das cirurgias plásticas e acreditam que existe uma certa facilidade em conquistar o corpo perfeito vendido no Instagram. No entanto, por se sentirem inferiores, ou por não conseguir o corpo idealizado, a saúde mental dos indivíduos é afetada drasticamente, desenvolvendo até um distúrbio de imagem, que segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) se caracteriza pela percepção alterada de si mesmo e a negação do próprio corpo.
Atrelado a isso, as pessoas buscam descontroladamente, e a qualquer custo, a realização dos procedimentos estéticos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SPCP) o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de realização de cirurgias plásticas. Entretanto, por ser um país em desenvolvimento, a maioria da população é representada por uma situação financeira instável, o que não justificaria tal posição na frente de países ricos. É nessa lógica que surge a exposição do físico a riscos mortais, com clínicas clandestinas e profissionais sem qualificação a baixo custo financeiro. Como é o caso do “Doutor Bumbum” médico que ficou conhecido nas redes socias após a morte da sua paciente em um procedimento realizado no seu apartamento. Dessa forma, a estética ultrapassa o limite da saúde para satisfazer o padrão social de beleza almejados por algumas pessoas.
Portanto, para reverter tal problemática, é preciso que o Ministério da Saúde, promova campanhas de informações sobre os riscos eminentes causados pelas cirurgias plásticas, por meio de post, vídeos e documentários nos seus canais de comunicação na internet. Ademais, tais campanhas devem ser transmitidas na rádio e na tv em forma de propaganda informativa, além, também, de divulgar o acompanhamento psicológico ofertado pelo sistema público de saúde, com o objetivo de informar e alertar a população. Assim, com as informações alcançando o máximo de pessoas e de diferentes idades, a sociedade possa estar mais atenta sobre os limites existentes entre a estética e a saúde.