Limites entre estética e saúde

Enviada em 03/01/2021

“As grandes conquistas da humanidade foram obtidas conversando, e as grandes falhas pela falta de diálogo”. Observa-se na frase de Stephen Hawking, físico teórico britânico, que as falhas persistentes no que tange o cenário da busca pelo padrão estético ideal, este imposto pela própria sociedade são recorrentes pela falta de diálogo no corpo social moderno. Em vista disso, percebe-se que a conjuntura é motivada pela negligência estatal e, também pela negligência empresarial, impasses esses constantes no aspecto coetâneo da Federação.

Primordialmente, é imprescindível analisar que a persistência da problemática deve-se, principalmente, à omissão do Estado, uma vez que esse não executa o direito fundamental à saúde estabelecido na Constituição Federal, decretada em 1988. À vista disso, o Ministério a que se compete a pauta, pela falta de políticas públicas eficazes, como campanhas informacionais sobre as consequências das cirurgias plásticas em prol da estética, para solucionar o imbróglio, fere a legislação. Devido ao fato da ausência do conhecimento sobre os perigos de tais práticas cirúrgicas, faz com que  as pessoas realizem procedimentos estéticos em clínicas clandestinas, colocando em risco sua vida. Desse modo, essas práticas não corroboram com os preceitos e princípios de justiça positivados.

Destarte, é fundamental salientar que a lógica empresarial é propulsora do problema. Conforme Zygmunt Bauman, grande filósofo e sociólogo polaco, a inexistência de vigor nas relações sociais, políticas e econômicas é a peculiaridade da “modernidade líquida” vivenciada na contemporaneidade. Diante desse contexto, o imbróglio é motivado pelos donos de clínicas clandestinas que conhecem os malefícios e riscos de tais procedimentos estéticos e, mesmo assim oferecem estes serviços. Sobretudo, esse problema ocorre em virtude do individualismo inerente do século XXI, próprio das relações capitalistas retratadas pelo filósofo. Logo, urge a intermediação dessa questão com ênfase em princípios normativos.

Diante dos argumentos supracitados, são imprescindíveis mudanças para alterar esse quadro. Para isso, o Ministério da Educação, juntamente com o da Saúde, devem inserir, nos ambientes educacionais como escolas (ensino médio) e instituições de ensino superior, campanhas informacionais sobre os riscos que os procedimentos estéticos realizados de maneira repetitiva ou clandestinos podem causar a saúde. Sobretudo, essas campanhas serão feitas com Artistas amplamente conhecidos pela mídia, por meio de verbas da União do fundo rotativo orçamentário destinadas a conscientizar a população. Com isso, a questão da busca pelo padrão estético ideal, imposto pela sociedade será intermediada no século XXI.