Limites entre estética e saúde
Enviada em 04/01/2021
A nação brasileira enfrenta grandes desafios na nova Era digital, sendo um deles o conflito existente entre saúde e beleza. O clipe musical “Pretty hurts”, da cantora Beyoncé, apresenta em poucos minutos os absurdos que pessoas são capazes de se submeter, como fome, procedimentos clandestinos e dor, para atingir os padrões estéticos impostos pelas mídias, sendo uma jornada difícil e pouco saudável. Existe assim, no pensamento coletivo, uma equivocada idealização de que tais padrões garantem felicidade absoluta, banalizando todos os problemas e riscos à vida que eles carregam. Por essa razão, estética e saúde necessitam ser pensadas juntas, uma vez que possuem impactos em vidas reais.
A priori, o ser humano tende a reproduzir aquilo que vive. A partir do momento que o pai da psicanálise, Sigmund Freud associou os padrões psicológicos com a cultura e sociedade da época vivida, foi possível compreender as influências que o indivíduo está submetido. É notório o aumento de contemplação de modelos estéticos pelos usuário das redes sociais, uma vez que o olhar está cada vez mais fixado nas telas dos smatphones. O resultado imediato, desse novo hábito, é a maior recorrência de transtornos alimentares e intolerância ao corpo real entre o público jovem, em razão da insegurança e do desejo de inclusão social frequentes nessa fase, que busca viver o que vê nos ambientes onlines.
Além disso, as mídias e seus usuários banalizaram por completo as intervenções exclusivamente estéticas. A busca incansável pelo ideal de belo e o descontentamento coletivo pela própra aparência, elevou significativamente nos últimos anos, tornou o Brasil um dos países que mais executa cirurgias plásticas estéticas, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Essa vulgarização e descontentamento estão presentes nos posts da atriz mirim Giovana Chaves, que aos 18 anos realizou seu “sonho”, uma cirurgia estética invasiva e de alto risco. Após a realização, ela compartilhou com seu público, majoritariamente jovem, de forma irresponsável e banal reforçando a banalização da vida.
Diante dos fatos expostos, é possível concluir que os limites entre estética e saúde precisam ser evidenciados e seus riscos reforçados a população. Para que isso ocorra, é preciso que o consumo por modelos extremos sejam reduzidos pela sociedade, principalmente por crianças e adolescentes, por meio de campanhas coletivas realizadas pelos próprios usuários das mídias sociais, como a hashtag “Corpo Livre” da Alexandrismos que apresenta corpos do mundo real e a beleza que existe na liberdade de aceitá-lo, para que assim o hábito de ver beleza em corpos reais comece a ser reproduzido. Além disso, cabe aos profissionais de saúde da SBCP executar e divulgar apenas procedimentos estéticos se houver necessidade e não prejudicar a saúde do paciente para que as intervenções cirurgicas se tornem o último recurso procurado. Somente assim, a beleza deixará de machucar tantas vidas.