Limites entre estética e saúde

Enviada em 11/01/2021

Correntes encantadas

Os parâmetros estéticos sobrepostos aos limites da saúde do indivíduo são frutos da “cultura do corpo”. Assim como os gregos da Grécia Antiga, que por considerar os deuses dotados de beleza superiores, desejavam um corpo belo, forte e rápido para aproximar-se deles e, com isso, da perfeição, a sociedade contemporânea diviniza celebridades da televisão, internet e esportes. Em vista disso, negligencia-se nos âmbitos da saúde e da educação.

Primeiramente, é válido compreender a falta de políticas eficazes em respeito aos limites estéticos. Tal como no filme brasileiro de 2015, “Linda de Morrer”, cuja protagonita, a cirurgiã plástica Paula, aplica em si mesma uma fórmula experimental para eliminar celulites, morre e, ainda assim, o produto é comercializado. Essa facilidade em vender medicação sem prescrição médica, todavia, rotulada como “infálivel” mostra-se ao longos dos anos perigosa. Segundo a pesquisa realizada pela plataforma  “Consulta Remédios”: “a cada dez brasileiros, oito tomaram medicamentos sem orientação médica pelo menos uma vez em 2018”. Conquanto, em 2017, foi aprovado o Projeto de Lei (PL) 2431/2011 que libera o uso de remédios para emagrecimento vetados desde 2011 por uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Portanto, é cabível ao Estado maior fiscalização nos mecanismo de aquisição dessas tóxinas.

Outrossim, o aumento dos casos de distúrbios alimentares na adolescência é um problema. Segundo um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde em 2014 “77% das jovens, entre 10 e 24 anos, em São Paulo, apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia e bulimia”. Salientando, nesse contexto, a vulnerabilidade dessa faixa etária aos modismos midiáticos, como as culturas “fitness” e da magreza. Desse modo, é necessária a intervenção educacional a fim de previnir a população a respeito dos riscos que esse óbice pode acarretar.

Diante disso, cabe ao Estado sanar a problemática do remate entre estética e saúde, através da implementação do projeto “Corpo São”, uma parceria dos Ministérios da Saúde e Educação, juntamente com organizações não governamentais, como a “Mente Viva”, e escolas públicas e privadas, com o intuito de expandir a disciplina de Educação Física como ferramenta no auxílio da formação intelectual dos estudantes, trazendo outras disciplinas, seminários e palestras em prol de esclarecimento e conscientização de temas pertinentes ao pleito. Dessa forma, pode-se garantir uma sociedade livre das correntes encantadas da perfeição dos deuses gregos.