Limites entre estética e saúde

Enviada em 05/01/2021

Na literatura, o parnasianismo é pautado no rigor estético, buscando sempre a perfeição. Analogamente, a sociedade mostra, cada vez mais, preocupação no que tange aos padrões estéticos de corpo e rosto, reflexo de imposições midiáticas muitas vezes inalcançáveis. Dessa forma, levanta-se o debate acerca dos limites entre estética e saúde, já que tal procura traz diversos danos. Assim, medidas são necessárias para a resolução da problemática.

Por certo, vale ressaltar que, segundo o filósofo Immanuel Kant, muitos erros derivam da ignorância humana. Conforme o pensador iluminista, o homem deixa sua “menoridade” ao obter esclarecimento e usar seu conhecimento autonomamente. No entanto, diversas anomalias comportamentais de parte da população vão de encontro a esse postulado filosófico, como a busca infreável por modelos de beleza padronizados, apesar de seus efeitos nocivos. Nesse âmbito, é notória a pressão que a mídia impõe, enaltecendo sempre o corpo magro, o nariz fino e os lábios carnudos. Contemporaneamente, por exemplo, diversas blogueiras -as quais influenciam muitas jovens- aplicam ácido hialurônico nos lábios e fazem a chamada lipo LAD, uma reconstrução abdominal, ainda que elas já sejam magras. Esses comportamentos reforçam e romantizam, de forma errônea, procedimentos estéticos deveras invasivos.

Nesse viés, diversas são as consequências oriundas do não estabelecimento de limites entre a estética e a saúde. Passíveis de citações encontram-se transtornos alimentares, como anorexia e bulimia. Além disso, quando o indivíduo está fora dos padrões, a pressão da busca pelo belo pode desencadear doenças psicológicas, como a depressão e a ansiedade. Ademais, tais moldes impostos proporcionam o surgimento de uma massa de pessoas semelhantes, abandonando a individualidade de cada ser humano e tornando todos quase fisicamente iguais.

Portanto, tornam-se imprescindíveis medidas que reforcem os limites entre estética e saúde. Para isso, é preciso que o governo ampare a sociedade, ação exequível mediante a criação de campanhas, divulgadas na televisão - a qual possui amplo alcance populacional-, em prol da saúde, mostrando, por meio de falas de especialistas, os efeitos nocivos advindos de procedimentos estéticos, com o fito de minimizar a romantização de cirurgias. Além disso, cabe às escolas instruírem os alunos, mediante palestras, nas quais psicólogos abordem a importância da individualidade de cada ser, com a intenção de se criar uma geração ciente de que não há problemas em estar fora dos padrões e, por consequinte, amenizar a recorrência de transtornos alimentares. Se assim feito, poder-se-á obter uma sociedade menos parnasiana, como proposto pelos modernistas.