Limites entre estética e saúde
Enviada em 10/01/2021
De acordo com Hannah Arendt, filósofa alemã, a diversidade é inerente ao ser humano, de modo que todos deveriam estar habituados à convivência com o diferente. Entretanto, tal ideia não é efetivada no hodierno cenário nacional, posto que a população aumentou a procura por procedimentos estéticos, com a meta de excluir as diferenças e assemelhar-se aos padrões pré-determinados. Porém, tais objetivos estéticos podem acarretar, quando em excesso, danos à saúde. Esse exagero ocorre ora devido à massificação comportamental, ora em decorrência de atos discriminatórios.
Primeiramente, é imperativo relacionar a homogeneização do comportamento com o conceito de “Indústria Cultural” de Theodor Adorno e Max Horkheimer. Segundo os filósofos da Escola de Frankfurt, o sistema vigente visa concretizar a heteronomia na sociedade, ou seja, tornar os indivíduos iguais ao coletivo por meio da perda da individualidade, a qual facilita a manipulação do comportamento. Nessa perspectiva, por causa da autorreflexão deficitária e ideologias durante o amadurecimento, a pessoa tende a não questionar os padrões de beleza e visa enquadrar-se, a qual torna-se marionete das indústrias do ramo. Assim, passa a arriscar a própria saúde em favor da estética.
Posteriormente, é imperioso concatenar o preconceito com a ideia central do livro “Cegueira Moral” de Zygmunt Bauman. Conforme o sociólogo polonês, a maldade na contemporaneidade é demonstrada mediante à insensibilidade e julgamento para com o outro. Sob esse viés, a educação atual instrui, indiretamente, o individuo à discriminar aqueles que não se adequam às caracteristicas tidas como ideais, as quais foram criadas consoantes aos interesses de marcas de produtos atreladas. Dessa maneira, as vítimas prestam-se às dietas prejudiciais e cirurgias perigosas como meio de corrigir o “corpo imperfeito” e interromper o julgamento.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de mudanças para mitigar o lado prejudicial da estética. Logo, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de palestras com o tema “Padrão de beleza: imposição ideológica” em escolas públicas e privadas. Essa ação deve ser feita por meio da contratação de sociólogos e psicólogos, os quais busquem induzir nos jovens reflexões acerca da manipulação ideológica a qual estão sujeitos e sua atual aplicabilidade no ramo da estética. Ademais, devem explicitar os mecanismos utilizados pelas empresas e explicar a importância do pensamento crítico como forma de se defender de tais atos persuasivos. Com a finalidade de ingressá-los na sociedade com idiossincrasia formada e cientes de tais manipulações. Dessa forma, os brasileiros entenderão que a diversidade é inerente ao ser humano, como afirma Hannah Arendt.