Limites entre estética e saúde
Enviada em 10/01/2021
O atual padrão de beleza - disseminado pela mídia e aceito por grande parte da sociedade contemporânea - se caracteriza, principalmente, pelo culto à magreza e este “está diretamente associado à imagem de poder”, conforme tese dos autores Andrade & Bosi (2003). Entretanto, àqueles que fogem a esse estereótipo são criticados e, por isso, buscam se adequar ao que é tido como “normal”, colocando-se, por vezes, em situação de risco. A imposição de um modelo estético afeta a saúde física e psíquica, além de introduzir o vício a cirurgias ao propor a “perfeição”. Nesse ínterim, é indispensável falar sobre o tema em questão.
Dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), revelam que o Brasil é o primeiro país do mundo no ranking de cirurgias plásticas; só em 2018, foram realizados mais de 1 milhão desses procedimentos no Estado Brasileiro, o que demonstra a importância deles para a sociedade. Essa situação, todavia, acarreta na chamada “coisificação da humanidade”, pois as pessoas passam a executar essas mudanças físicas devido à influência midiática e se preocupam em mostrá-las ao mundo por meio de publicações nas redes sociais, ou seja, quanto mais próximo do padrão difundido, maior reconhecimento.
Assim, essas pessoas passam a ser dependentes dos “likes” e viciadas em seguir a “moda superficial”. Consoante a essa questão, tem-se o desenvolvimento de problemas emocionais que surgem a partir do transtorno dismórfico corporal e chegam a causar distúrbios alimentares - no Brasil, por exemplo, 4,7% da população sofre com isso, sendo que, entre os jovens, esse índice chega a 10%, conforme informações da Organização Mundial de Saúde (OMS), divulgadas em 2020.
Diante desse contexto, é preciso dar maior atenção à gravidade da situação para assim atenuá-la. Primeiramente, os indíviduos necessitam reconhecer a existência da problemática, o que pode ser feito mediante palestras administradas por especialistas sob o investimento do Ministério da Educação; o Governo Federal - em parceria com as grandes mídias digitais - deve realizar propagandas que não sejam tendenciosas, mas que possam exemplificar a diversidade da sociedade em termos estéticos, a fim de não prendê-la num modelo físico. Ademais, é imprescindível a participação do Ministério da Saúde na divulgação de dados que demonstrem as consequências geradas pelo vício à padronização, para que haja maior conscientização social e aceitação corporal. Vale ressaltar, porém, que nenhuma dessas medidas deve apreciar a obesidade, posto que este é um quadro severo de saúde e deve ser analisado sob a ótica de profissionais da área médica. Dessa forma, a sociedade será capaz de compreender as disparidades entre o conceito de “estética” e “saúde”.