Limites entre estética e saúde
Enviada em 11/01/2021
Desde a Grécia antiga, o culto ao belo fazia parte da cultura de diferentes sociedades, a busca pelo corpo simétrico e belo de seus padrões iam contra as variações e formatos de diversos corpos referentes a cada época e lugar, mas sempre sendo diretamente influente no corpo social como um todo. Hodiernamente, mídias e redes sociais impulsionam a ideia de novos padrões a serem seguidos, os quais as pessoas sentem a necessidade de se encaixar, na maioria das vezes expondo sua saúde e vida. Nesse sentido, diante de uma realidade instável que é impulsionada pela influência midiática e a má formação educacional, os limites entre estética e saúde devem ser discutidos.
Mormente, infere-se que a estereotipagem ocorre, sobretudo, devido a uma falha na educação transmitida às crianças. Assim, esses indivíduos são precocemente exposto a uma padrão de beleza, que é transmitido através dos bonecos infantis, em especial, a Barbie e o Ken, que possuem o corpo taxado como ideal pela sociedade. Ademais, a questão é a imposição maior para com o público feminino, que desde de pequenas, a sociedade “exige’’ que tenham os cabelos e a roupa da moda, e sejam magras. A exemplo, tem-se o poema de Vinicius de Morais “Receita de mulher”, em que ele deixa claro que a mulher deve ser bonita. Desse modo, faz se mister a reformulação desses conceitos.
Outrossim, existem muitos prejuízos físicos e psicológicos que essa rotulação social pode causar. Para tentar seguir o padrão as pessoas se submetem a cirurgias e tratamentos estéticos, que em alguns casos, têm complicações e podem levar o indivíduo à morte. Segundo pesquisas da UNIFESP, em 2018, o Brasil era o segundo país do mundo com mais procedimentos estéticos, e também é um dos líderes em mortes por complicação. Essa situação se agrava ainda mais quando as vítimas da padronização percebem que não conseguem alcançar o modelo idealizado, e ficam frustradas, o que pode agravar para uma depressão. Logo, é inadimissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, que ações mútuas entre a instituição escola, à família e o Governo, a fim de amenizar os fatos supracitados. Desarte, o Ministério da Educação em parceria com a família devem atuar mais fortemente, trabalhando com as crianças e adolescentes, na desmistificação de que todos devem ser iguais, por meio de palestras que abordem a estética em prol dos princípios e valores, e não ao contrário, para que, assim, os indivíduos cresçam e possam ser como quiserem ser. Por fim, o Governo Federal deve atuar realizando campanhas nas mídias sociais, empenhando-se na propagação da ideia de aceitação pessoal e na valorização da diversidade, a fito de amenizar os danos causados pela estereotipagem. Em síntese, será possível a construção de uma sociedade que não tenha como base conceitos tão ultrapassados como os da Grécia antiga.