Limites entre estética e saúde

Enviada em 11/01/2021

No primeiro filme da franquia da Disney, intitulada “Piratas do Caribe”, há uma cena na qual a personagem Elizabeth Swan, ao usar um vestido para agradar seu pretendente, desmaia por falta de ar devido ao espartilho extremamente estreito que estava usando. O contexto histórico da franquia data do século XVIII, e evidencia a antiguidade dos esforços femininos para atingirem um corpo perfeito, que permanece até atualmente. Dessa forma, surge a problemática social da busca pela perfeição estética feminina e aceitação social, acompanhada de riscos para a saúde.

Em primeira análise, os espartilhos citados no parágrafo anterior, eram peças do vestuário feminino indispensáveis, principalmente na era vitoriana. O apetrecho era responsável por afinar a cintura, moldando o corpo à forma de uma ampulheta, atribuindo graça e elegância. Entretanto, a peça deformava a coluna vertebral, as costelas, e empurrava para baixo os órgãos inferiores (útero e intestinos), causando problemas intestinais e de fertilidade. Deste modo, percebe-se a presença de uma pressão social muito antiga na sociedade ocidental que confina as mulheres a padrões estéticos pouco saudáveis, a fim de obterem prestígio e aceitação perante a sociedade.

De maneira análoga, segundo dados do ISAP de 2019 - Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica -, o Brasil foi o país que mais realizou mais cirurgias plásticas do mundo. Segundo a instituição, os procedimentos mais procurados pelas brasileiras foram a prótese de silicone e a lipoaspiração, procedimentos estes que atribuem aos corpos femininos o padrão curvilíneo e com seios e nádegas grandes, tão almejado e preferido no país. Assim, além do risco de morte, as cirurgias deixam hematomas e podem causar infecções, ou até mesmo trombose. Logo, compreende-se que o Brasil é um dos países que mais lucra com o corpo feminino, mesmo o expondo a muitos riscos de saúde.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Posto isso, o Ministério da Saúde e a grande mídia, de forma conjunta, devem conscientizar a população, principalmente feminina, através de propagandasnas redes sociais e campanhas televisivas, a fim de que atenue a procura por um padrão estético inalcançável e, por consequência, a procura por cirurgias plásticas. Se assim for realizada esta medida, talvez o Brasil consiga ter uma população mais feliz com seu corpo e saia do primeiro lugar na pesquisa do ISAP.