Limites entre estética e saúde
Enviada em 10/01/2021
A obra “Homem Vitruviano”, do polímata Leonardo da Vinci, representa o ideal clássico de beleza, pautado no equilíbrio e harmonia das formas e proporções corporais. Historicamente, os padrões de beleza são alterados, e vê-se na contemporaneidade o culto à magreza, que evidencia a necessidade de discussão acerca dos limites entre estética e saúde. Dessa forma, é inegavél o papel dos meios de comunicação em massa e da supervalorização do exterior na fragilização do bem-estar como um todo.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que o advento dos meios de comunicação em massa, no século XXI, propiciou a expansão do ideal de beleza associado ao consumismo. Nesse sentido, as redes sociais são responsáveis pela promulgação no ideário coletivo que a aceitação social pode se dar por meio da modificação da aparência. É cada vez mais comum que “digitais influencers” exponham a satisfação alcançada com os mais diversos tratamentos estéticos. Tal prática torna suscetível o desenvolvimento de transtornos alimentares e psicológicos, como a anorexia e a depressão. Logo, os indivíduos colocam em risco seus corpos e mentes ao incorporar moldes impostos, reduzindo-os como verdades de alcance imprescindível, pela falta de informação e representatividade.
Em segundo plano, a supervalorização do exterior é fator fundamental no distanciamento entre saúde e estética. Segundo o conceito do filósofo alemão Nietzsche, o “Super-Homem” é um ser humano capaz de libertar-se das amarras morais da sociedade e viver por si mesmo. Análogo a esse conceito, os indivíduos precisam se libertar do modelo de beleza imposto pelos fatores histórico-culturais para viver plenamente. Nessa perspectiva, o esclarecimento de beleza como noção abstrata e socialmente construída é de suma importância para a edificação uma consciência plena e positiva da individualidade inerente aos seres humanos. Cada pessoa é dotada de traços exclusivos, e a aceitação desses é essencial para manter o bem-estar de uma sociedade tão rotulada e, ao mesmo tempo, tão diversa.
Não obstante, segundo o exposto acima, é mister que o Estado tome providências para atenuar a questão. Esse, representado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Educação e Cultura, deve criar campanhas e projetos educativos escolares mais frequentes e impactantes nas mídias televisivas e sociais, por meio da realocação de recursos da União. Essas irão tratar dos riscos dos procedimentos estéticos e produtos invasivos, mas também dos prejuízos psicológicos da obessão por padrões de beleza inalcançáveis, com o fito de desestruturar o culto ao corpo ideal e construir a valorização da identidade única de cada cidadão. Somente assim a conjuntura do arquétipo corporal será desmistificada.