Limites entre estética e saúde

Enviada em 06/01/2021

Conforme a primeira lei de Newton, um corpo tende a permanecer em seu movimento até que uma força atue sobre ele, mudando-o de percurso. Nessa perspectiva, em alusão à realidade do Brasil, ainda que a ciência contribua para o desempenho dos procedimentos cirúrgicos, ainda assim existem obstáculos a serem superados, em virtude da falta de comprometimento com os riscos, em detrimento do corpo ideal. Com isso, ao invés de funcionar como a força capaz de reverter essa situação, os desafios a respeito da cultura de massa, bem como as consequências submetidas acabam por contribuir com a situação atual.

Em primeira análise, é indubitável que a sociedade está inserida em um mundo conectado, por meio das redes de comunicação. Além disso, com a cultura de massa imposta, sendo um discurso do filósofo Theodor Adorno, faz com que as pessoas sejam moldadas, a fim de garantir o seu espaço dentro do “padrão estabelecido”. Tendo em vista isso, sabe-se que a mulher magra, sem barriga e com cintura fina, tende a ser exposta como exemplo a ser seguindo. No entanto, essa exaltação pelo corpo perfeito pode gerar problema de distúrbios alimentares, baixa autoestima e depressão. Desse modo, é preciso que a sociedade reconheça as diferenças como algo único e necessário para a expressão da diversidade.

Sob um segundo enfoque, no livro “sociedade do espetáculo”, do sociólogo Guy Debord, é evidente que todas as pessoas vivem como se suas vidas fossem um espetáculo, a fim de aparentar perfeição. Em consonância aos dias atuais, os procedimentos estéticos estão diretamente ligados a essa necessidade. Tanto que, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de cirurgias plásticas do mundo, de acordo com a Sociedade Internacional. Tendo em vista isso, é preciso que o Poder Público promova o conhecimento das pessoas acerca dos riscos, para que esse problema seja amenizado e a sociedade se posicione conforme a própria realidade, sem querer ultrapassar os limites impostos.

Portanto, fica evidente a necessidade de medidas que realizem a mudança do percurso. Para isso, urge que o Ministério da Educação crie, por meio de verbas governamentais, companhas nas redes escolares, sendo administrado por profissionais da área médica, para que seja explicado aos alunos acerca da cultura de massa, a fim de deixar claro que acompanhar o que imposto como melhor pode ser um risco, afetando principalmente a saúde mental. Além disso, cabe ao Governo fiscalizar as redes de comunicação, para que seja punido a exaltação do corpo magro, uma vez que isso desrespeita a diversidade de estereótipos. Somente assim, será possível a mudando do percurso, de modo que garanta a perspectiva de um mundo melhor.