Limites entre estética e saúde

Enviada em 07/01/2021

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do séc. XVI. Fora da ficção, o Brasil do séc XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere à falta de limites na busca pela beleza pela sociedade em comparação com a falta de cuidado com a saúde. Nesse contexto, tornam-se evidentes como causas, tanto a busca por prazeres instantâneos, quanto o consumismo.

Sob esse viés, a busca por prazeres instantâneos se mostra como um dos desafios à resolução do problema. De acordo com o Hedonismo, filósofa grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por prazeres instantâneos é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, essa busca caracteriza-se como um agravador na obsessão pela beleza de forma incessante e o desleixo com a saúde no meio social brasileiro, atuando fortemente em sua base. Assim, a falta de um planejamento racional e menos imediatista impede que o problema seja resolvido, podendo inclusive, trazer consequências que agravem a situação.

Outro ponto relevante nesta temática é o consumismo. Nesse sentido, o conceito de “sociedade de consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a sociedade que se caracteriza pelo consumo massivo, uma causa latente na questão da busca pela beleza sem limites dentro da sociedade brasileira, mesmo que a saúde se torne frágil. Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Por essa ótica, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, gerando então o consumismo, que tanto prejudica o problema da busca pela satisfação estética no país, dificultando sua resolução.

Logo, o MEC em parceria com as escolas devem promover projetos que desenvolvam o pensamento racional, consciente e de amor próprio dos alunos. Para isso, devem oferecer oficinas co psicólogos e especialistas no assunto, tratando da importância da qualidade de vida dos indivíduos e desconstruindo o pensamento da busca à qualquer preço pela beleza. Tais eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que um maior número de pessoas possa ser impactado.

Em suma, é preciso que a comunidade escolar e a sociedade faça seu papel de conscientização, pois, como afirmou Nelson Mandela, “A prioridade é sermos honestos conosco. Nunca poderemos ter um impacto na sociedade se não nos mudarmos primeiro”.