Limites entre estética e saúde
Enviada em 09/01/2021
O belo está ligado a uma essência universal e não depende de quem observa, pois está contido no próprio objeto, segundo o filósofo e matemático Platão. Esse panorama auxilia na análise da questão da estética e saúde, visto que ter um corpo bonito e saudável, principalmente em um mundo onde a imagem é cada vez mais valorizada. Corpos idealizados brilham diariamente nos anúncios de televisão e nas redes sociais. Diante dessa perspectiva, essa procura pelo corpo ideal, pode levar o indivíduo a atravessar o perigoso limite entre estética e saúde.
É importante ressaltar que na sociedade contemporânea, pela direta influência da mídia, padrões de beleza estão sendo difundidos e impostos. A preocupação do indivíduo pelo corpo, especialmente os mais jovens, está em constate crescimento. Dados obtidos pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), divulgou que nos últimos dois anos, procedimentos não cirúrgicos aumentaram 390% no Brasil, e procedimentos cirúrgicos foram realizados numa totalidade de 1.841.098 em um único ano, deixando o Brasil na primeira colocação mundialmente pro procedimentos estéticos realizados.
Cabe mencionar o aumento da indústria da beleza. Exagero em propagandas de cosméticos, clínicas de estética e academia, induziu a população a fazer-se o uso e submeter-se a cirurgias plásticas, dietas totalmente exageradas sem auxílio de profissional qualificado. Por não conseguir se adequar aos padrões exigidos pela sociedade a pessoa pode prejudicar a própria saúde. Um exemplo disso, foi a procura de uma mulher para se adequar a esses padrões a uma profissional não habilitada para o uso de um material sintético (PMMA) proibido para inserção corporal em altas dosagens, ocasionando assim sua morte. Doenças como Bulimia e Anorexia, relacionadas a má alimentação, causada pelo desejo de estar dentro dos padrões.
Diante do supracitado, nota-se que com o passar dos anos padrões mudaram e trouxeram consequências como doenças e até mesmo a morte. Logo medidas públicas e sociais são necessárias para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Saúde junto ao Estado, medidas para espaços públicos para a realização de atividades físicas com uma consultoria de profissional habilitado, programas de alimentação saudável incluso nas UBS das famílias, diminuindo a incidência de doenças relacionadas a estética. Ao Ministério da Educação, cabe incentivar as crianças desde cedo que não existe padrão para beleza, quebrando assim paradigmas sobre e o tão exigidos padrão estético.