Limites entre estética e saúde

Enviada em 11/01/2021

O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das Ciências da Natureza, no que concerne aos limites entre estética e saúde, percebe-se a configuração de um grave problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a má influência midiática e o silenciamento sobre esse tema.

Em primeiro plano, é preciso antentar para a má influência que a mídia emprega nessa assunto. Conforme Pierre Bordieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesta perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema, uma vez que ela impõe na sociedade um padrão de beleza inatingível que afeta a todos negativamente, como por exemplo: mulheres já magras desejando ficar mais magras, fazendo inúmeros procedimentos estéticos, banalizando as cirurgias plásticas sem necessidade, há também transtornos alimentares que são desenvolvidos ao buscar o corpo perfeito.

Outro ponto relevante nessa temática é a falta de debates sobre esse tema. Nesse sentido, Habermans traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que o problema como o da estética ultrapassando a sáude seja resolvido, faz-se necessário debates nas escolas, nas mídias sociais e nos outros meios de comunicação, sobre os riscos  que pode causar à busca incessante pelo corpo ideal como a depressão, ansiedade e até morte. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa temática, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Contudo, especialistas no assunto, com apoio de ONGs também especializadas, devem desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre os limites entre a estética e a saúde. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram tal problema. É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de concientizar a população sobre as consequências.