Limites entre estética e saúde
Enviada em 11/01/2021
No documentário “Miss Americana”, a cantora estadunidense Taylor Swift revela que, em certo momento de sua carreira, passava grande parte de seu tempo preocupada com seu peso e aparência ao ser exposta na mídia, o que desencadeou nela problemas emocionais. No contexto atual, surge, então, a urgência de se discutir os “limites entre estética e saúde”, a partir da causa para tais problemáticas psicológicas, como mostrado no caso da compositora, além de suas consequências para as pessoas em geral, com a finalidade de apresentar alternativas que resolvam tal questão.
Em primeiro lugar, é mister ressaltar o aspecto social como razão para o impasse. Pensadores alemães como Theodor Adorno e Max Horkheimer, desenvolveram no século XX a chamada “Escola de Frankfurt”, corrente de pensamento que tinha como principal questão o conceito de “Indústria Cultural”, que diz que, na sociedade capitalista, arte e cultura se tornam algo padronizado com o objetivo de tornar o consumo dessas áreas homogeneizado. Sob essa ótica, há também um padrão estético na sociedade atual, o qual é evidenciado em postagens nas redes sociais, que tendem a valorizar um tipo de publicação que siga certo modelo de corpo e fenótipo, em detrimento de outro diferente. Sendo assim, a recorrente dificuldade de se alcançar esse estereótipo contribui para a extrapolação da fronteira entre beleza e bem-estar, o que constitui grave questão a ser enfrentada pelo poder público.
Consequentemente, evidencia-se os efeitos negativos desse parâmetro estético presente nas mídias como um todo. O principal deles, sem dúvida, está no aumento de casos de depressão na sociedade, pois, tal padrão desconsidera a particularidade de cada indivíduo, e leva à frustação de quem não o alcança. Prova disso é que, recentemente, algumas redes sociais como Facebook e Instagram, têm retirado o número de curtidas das publicações. Segundo essas empresas, o objetivo é reduzir a pressão social sobre os usuários e amenizar e ocorrência de problemas emocionais desses. Contudo, tal medida não é ampla o suficiente, posto que não foi introduzida, também, uma campanha de conscientização dos utilizadores desses serviços.
Portanto, visando mitigar os problemas supracitados, faz-se necessário a tomada de medidas nesse sentido. É de grande importância que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, crie um projeto de conscientização voltado à sociedade civil. Tal ação deve conter campanhas publicitárias, palestras e debates dirigidos às redes sociais, revistas, redes de televisão, rádio e sites de moda, com o objetivo de descontruir o estereótipo do corpo perfeito, com a presença de modelos de todos os tipos corporais, além de de formar tais pessoas sobre a primazia da saúde em relação à aparência exterior. Dessa maneira, tal qual foi à Swift, essa questão será superada pela sociedade.