Limites entre estética e saúde

Enviada em 06/03/2021

´´A Branca de Neve´´ é uma animação infantil, célebre por observar a jovialidade de uma princesa contra o egoísmo da rainha. Respeitante a isso, o embate da narrativa se afugenta na recorrência da vilã em ultrapassar, esteticamente, sua adversária, para isso utiliza da opinião de um espelho místico. Fora do entrecho animado, medidas para subverter o obstáculo dos padrões de beleza no Brasil, são dificultados, pois a cultura dos fármacos de performance somada ao almejo pela jovialidade são ditames que acorrentam o diferente à esfera do obscurantismo estético e posteriormente aos danos na saúde.

A princípio, com o advento das novidades bioquímicas, tanto a indústria farmacológica quanto estética sofreu impactos. Tal acepção orquestra com a obra ´´A sociedade do Espetáculo´´´, do filósofo Guy Debord, que revela o aspecto teatral das pessoas em esconderem suas mazelas ao optarem pela exposição somente do que é belo. Nesse viés, o uso de fármacos de alinhamento físico é evidência da busca pelo espetáculo na população brasileira, ou seja, a bioquímica é relegada às necessidades dos indivíduos em optarem por padrões, cada vez mais fictícios e endeusados. Sobre isso, a relevância em modificar o corpo, sem a preocupação com a saúde, indica a insatisfação popular com o natural, e isso é fortalecido não pela intimidade individual, mas pelos dogmas midiáticos. Desse modo, questionar a estética é garantir a harmonia social.

Outrossim, o anseio pela jovialidade é outro gatilho que prejudica a saúde mental das vítimas desse padrão. Tal menção foi apreciada pelo artista Michelangelo na sua escultura ´´A pietá´´, que vislumbra a imagem de Jesus Cristo nos braços de sua mãe, a qual mostra um rosto jovial e livre da mácula do pecado. Apesar do brilhantismo técnico, a sociedade brasileira reproduz erroneamente padrões de beleza, na maioria associadas à inércia do tempo no corpo humano. Em vista disso, a frequência dessa filosofia furta a racionalidade das vítimas que temem a senilidade, e isso é vigente no ultraje concedido à velhice. Por consequência, sustenta-se discursos de ódio e repulsa a aparências destoantes.

Portanto, compete aos agentes sociais sanar o revés dos ditames da padronização estética no Brasil. Para isso, o Ministério da Saúde deve dispor ´´podcast´s´´ e anúncios nas redes sociais, com acesso a debates sobre fraudulenta padronização, por meio das mídias, pois permitirá a informação, com fins de subtrair o uso discriminado de fármacos. Enquanto às prefeituras locais, propõe-se a projeção de desfiles de moda com a população, mediante verbas estatais, posto que apreciarão outros padrões, a fim de obstruir as falhas da jovialidade obrigatória. Somente assim, o diferente será retirado do obscurantismo estético, tão cultuado pela cegueira coletiva.