Limites entre estética e saúde

Enviada em 17/03/2021

A letra da música “Mrs Potato Head”, da cantora Melanie Martinez, faz uma crítica aos diversos procedimentos estéticos que são realizados em prol dos padrões estabelecidos pela sociedade. Nessa canção, o verso “Ninguém irá te amar se você não for atraente” demonstra a cultura de culto ao corpo perfeito, a qual é valorizada e imposta aos indivíduos. Paralelamente a essa composição, na realidade brasileira milhares de pessoas se submetem a cirurgias plásticas para “consertar as falhas” que são apontadas pelo corpo social, as quais numa tentativa de resolver um problema, podem criar outros ao colocarem em risco a saúde dos pacientes. Logo, essa preocupação exacerbada com a estética ocorre devido à influência da indústria e à falta de instrução dos cidadãos.

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que desde a infância, as crianças crescem com figuras e brinquedos que refletem o físico ideal que o ser humano deve ter. Nessa perspectiva, a boneca “Barbie” e o boneco “Max Steel” representam, respectivamente, a figura de uma mulher com proporções irreais de tronco, cintura e pescoço e, um homem musculoso, alto e forte. Contudo, o alcance mundial desses bonecos de plástico e o amplo consumo no mercado tornam as pessoas vulneráveis a pensarem, durante a infância, que na fase adulta elas se assemelharão a um boneco em tamanho real. Dessa maneira, os indivíduos sujeitam-se a operações capazes de alterar a fisionomia, o que podem levá-los a atravessar o perigoso limite entre a estética e a saúde.

Em segundo lugar, a escassez de conhecimento e informação sobre os riscos desses procedimentos para a vida do cidadão corroboram o aumento da taxa de mortalidade durante a operação ou no pós-operatório. Nesse contexto, os estereótipos definidos pelo corpo social fazem com que as pessoas se desvalorizem, submetendo-se, portanto, a tais operações. Dessa forma, em destaque uma pesquisa realizada em 2020 pela Sociedade internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), a qual identificou que o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, é evidente que a instrução dos cidadãos é necessária para que o exterior não seja valorizado ao ponto de ser a única coisa que torna o ser humano atraente, como é apresentado na música “Mr Potato Head”.

Destarte, é fundamental que os indivíduos compreendam os perigos e as consequências dos procedimentos estéticos. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve oferecer palestras e seminários gratuitos abertos ao público, os quais ocorrerão semestralmente, visando promover uma discussão acerca das cirurgias plásticas, autoestima, autoaceitação e cuidado com o corpo. Tal ação ocorrerá por meio de transmissões ao vivo com profissionais de saúde especialistas no assunto, de modo que o público poderá esclarecer as dúvidas que venham a surgir e realizar perguntas via bate-papo virtual.