Limites entre estética e saúde
Enviada em 06/04/2021
Na antiga cidade de Esparta, os padrões de belezas eram necessários para a designação dos segmentos sociais pertencentes aos cidadãos, levando em consideração seu estilo corporal. Com isso, os guerreiros tinham que possuir corpos atléticos e o peso era definitivo na caracterização das mulheres mais ricas. Atualmente, essa estrutura de representação social é espelhada pela sociedade, construindo a mistificação de uma falsa beleza necessária. Nesse sentido, as influências midiáticas e os intensos padrões de beleza maximizam a problematização dessa temática, firmando, assim, mais uma mazela contemporânea brasileira.
Em primeiro plano, o avanço das mídias sociais derivou em um complexo de influências determinantes na rotina dos usuários vigentes. A digital influencer Sthefane Matos, apontou a opinião dos seguidores como definitiva para a realização dos seus procedimentos cirúrgicos, levando-a a um quadro crítico de saúde. Em base a esse ocorrido, torna-se visível a necessária contestação da cibercultura persuasora, a qual estimula o encaixe em uma concepção de beleza não alcançável. Desse modo, ocasiona-se um problema público de saúde, por conta das enfermidades psicológicas causadas nos usuários, consequentes da comparações e das frustrações existentes nesses adventos virtuais.
Outrossim, as noções socioeconômicas atuais contribuem para a firmação de uma procura populacional por uma aparência contextualmente definida. Segundo o Sebrae, o mercado de beleza no Brasil cresceu cerca de 567% e a vaidade humana é contribuinte para a manutenção desse sistema lucrativo. Nessa perspectiva, são focalizadas as atividades que estimulem a permanência desse senso perfeccionista, desse modo, perdurando os consumidores. Todavia, a valorização do capital e a efemeridade das percepções sobre o que é a perfeição contribuem para o prolongamento dos fatores que intensificam o complexo problemático estético. Portanto, a vaidade torna-se uma obsessão alicerçada pelas ações insalubres das pessoas, causando transtornos, tais como a bulimia e a anorexia.
A partir dos argumentos citados, vê-se a necessidade de intervenção governamental. Para essa interferência, é necessário que o Ministério de Comunicações dissemine informações, por meio de recursos midiáticos, visando a maximização do entendimento populacional acerca da problemática. Além disso, tendo em vista o suporte psicológico dos brasileiros, é de suma importância que o Ministério da Saúde desenvolva projetos direcionados à expansão da assistência profissional para os indivíduos com doenças psicossomáticas. Com isso, as mistificações da estética serão finalizadas e a realidade de Esparta deixará de ser espelhada pela sociedade brasileira.