Limites entre estética e saúde

Enviada em 19/04/2021

Lançado em 1999 e vencedor do Oscar, o filme “Beleza Americana” é alvo utilizado para a crítica à indústria da beleza. Assim, cabe avaliar como o aparato estético é usado, tanto no filme quanto na vida real, para anestesiar as dores de uma vivência recheada de inconformidades. Ao longo da trama, Lester têm uma vida de aparência perfeita, mas na realidade é oca e medíocre e vive adiante de um paradoxo entre não obedecer aos padrões esperados por uma sociedade que cultiva a beleza em todos os âmbitos.

Faz-se necessário lembrar que saúde e estética são conceitos próximos, mas não estão diretamente ligados. Saúde refere-se ao bem-estar, enquanto a estética condiz com a aparência externa independente, de como foi adquirida. Segundo dados de 2016 do IBGE, o brasileiro já gasta mais com beleza do que com comida. Isso se deve a instigante busca pela eterna juventude e também a alusão de possuir uma aparência próxima das mídias atuais. Logo, é necessário que haja campanhas eficientes de fato para transferir a importância da estética para a saúde, seguido da qualidade de vida.

De modo simultâneo, a indústria capitalista cria, então, fios invisíveis que manipulam público como marionetes, transformando a construção do padrão estético em mais um desejo de consumo. O setor tende a crescer a cada ano, superando os 47 bilhões em 2018. Paralelamente, o nicho de beleza não é um perigo por si próprio, apenas quando ultrapassa os limites da saúde do cliente em vista de obter lucros a venda de uma utopia.

Portanto, é mister que o estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para distorcer a visão de beleza a ponto da disposição física e mental, urge que o Ministério da Saúde crie, por meio de palestras de especialista como psicólogos e ativistas, um programa que atue nas redes sociais e nas escolas e, envolva estudantes, pais e professores. De modo que, com o tempo um pensamento humanista, a favor do bem-estar se instale na sociedade.