Limites entre estética e saúde
Enviada em 23/04/2021
Segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como as relações sociais e os eventos históricos. Partindo desse pressuposto, é fácil compreender a problemática do excesso de cirurgias plásticas na sociedade contemporânea, uma vez que a mudança no paradigma da beleza ao decorrer dos anos acarretou - consequentemente - na remodelação das relações entre os indivíduos. Assim, as modificações corporais estão sendo incorporadas à realidade da população, já que há presença de uma forte pressão estética.
Em primeira análise, é imperativo pontuar o conceito de “fato social” do sociólogo Émile Durkheim, que explicita a existência de padrões comportamentais que são coercitivamente impostos sobre a coletividade em sua totalidade. Com base nessa ótica, é lícito afirmar que as pressões estéticas são como fatos sociais assimilados indiretamente pelos indivíduos, seja por meio de amigos, familiares e, principalmente, através da mídia. Ademais, os meios tecnológicos tornam-se veículos de propagação de ideais inatingíveis de beleza que influenciam - diretamente - a necessidade de pertencimento dos respectivos usuários à utopia midiática.
Outrossim, é mister ressaltar a crítica presente no livro “Metamorfose” do autor Franz Kafka que ressalta a exclusão social do personagem Gregório ao sofrer alterações estéticas que não seguem os padrões impostos socialmente. De maneira análoga à realidade, as cirurgias plásticas, com o fim exclusivo estético, surgem como uma solução para se encaixar nos moldes sociais da beleza, uma vez que a pessoa desviante desse padrão é vitíma de julgamentos e preconceitos. Sendo assim, as intervenções estéticas tornaram-se banalizadas e vulgarizadas.
Portanto, fica evidente que a questão das alterações físicas são resultado da mudança das concepções do belo ao decorrer dos anos. Os padrões estéticos são como fatos sociais impostos aos indivíduos que - na maioria das vezes - o assimilam de forma indireta por meio de veículos midiáticos persuasivos. Destarte, a formação de seres alienantes e bestiais será uma realidade futura caso a metamorfose deteriorante em busca da utopia corporal não seja desfeita.