Limites entre estética e saúde
Enviada em 11/05/2021
O filósofo inglês Francis Bacon afirma que o comportamento humano é contagioso, tornando-se enraizado a medida que se reproduz. Tal pensamento, é comprovado quando se observa a propagação de academias e clínicas voltadas para cirurgias plásticas que prometem a conquista do corpo escultural pregado como ideal nas redes sociais. Contudo, a busca pelo “corpo perfeito”, vem causando uma quebra constante dos limites entre estética e saúde. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores e consequências geradas por esse quadro.
Primordialmente, vale ressaltar a ausência de debates nas mídias sociais sobre os problemas que alguns procedimentos estéticos podem trazer para a saúde. Acerca disso, pode-se mencionar o caso da YouTuber brasileira Evellyn Regly que em 2018 enfrentou diversas complicações na saúde após realizar um implante de silicone nos seios. Conquanto, pouco se fala sobre esse tipo de infortúnio que pode vir a ocorrer, diversas blogueiras mostram apenas o lado belo, o que infelizmente, leva muitas mulheres a realizarem cirurgias desse estilo tendo confiança que dará sempre certo.
Ademais, salientam-se os problemas psicológicos como consequências da problemática. Segundo os dados coletados pelo estudo “Há uma Beleza Nada Convencional”, feito pela marca Dove, 71% das mulheres se sentem pressionadas a serem perfeitas e não apreciam o próprio corpo. De acordo com essa lógica, é plausível alegar que todas essas mulheres são mais suscetíveis a desenvolverem transtornos psicológicos como à anorexia e depressão apenas pelo desejo de se encaixarem nos padrões. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos para o entendimento da sociedade dos limites entre estética e saúde. Para isso, é imprescindível que o Governo, por intermédio de palestras e campanhas, leve a toda sociedade brasileira, pessoas que são exemplos de representativas para falarem sobre a importância de respeitar os limites do próprio corpo, incentivando aqueles que apresentam transtornos psicológicos a buscarem ajuda. A mídia no que lhe concerne, como formadora de opiniões, também deve realizar campanhas visando a desconstrução do padrão corporal e da beleza limitada. Assim, se consolidará uma sociedade mais saudável, onde outras mulheres não precisem passar pelo mesmo que Evellyn.