Limites entre estética e saúde

Enviada em 27/05/2021

Desde os tempos remotos, na mitologia grega, a aparência era exaltada de forma excessiva. Apolo era considerado o deus da beleza, devido às características do jovem: seu corpo atlético, pele lisa. Na época atual, procedimentos como bichectomia, lipoaspiração e rinoplastia são vistos como fórmula para os indivíduos fora dos padrões estéticos. No entanto, esses métodos deveriam ser realizados em casos necessários para o equilíbrio do corpo humano, e são efetuados com o intuito de obter a imagem exaltada. Sob esse viés, destaca-se a importância de analisar como a mídia influencia diretamente com a criação do “padrão de beleza”.

O filme “Meninas Malvadas”, lançado em 2004, já mostrava a definição do que é bonito ou não dentro de uma padronização, uma vez que as personagens principais, como Regina George e Karen, eram vistas como rainhas do colégio americano, devido a seus corpos magros e definidos. Por outro lado, as demais estudantes eram vistas como súditos. Todavia, a realidade não está distante das telas, já que a preocupação em ser visto como “bonito” está entre muitos brasileiros, prova disso são os influenciadores digitais que buscam diariamente publicar a perfeição utilizando filtros e aplicativos como photoshop para modelar o corpo.

Além disso, segundo o levantamento da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética, o Brasil é o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo. Por conseguinte, as consequências de tantos procedimentos sem a necessidade relacionada à saúde- como casos de desvio de septo, problema chamado turbenectomia- afligem cada vez mais. Exemplificando, pode-se mencionar a digital influencer Sthefane Matos, que após realizar diversas rinoplastias, teve a cartilagem do nariz exposta. Mais precisamente, por possuir pobre vascularização sanguínea, as cartilagens ao contrair quaisquer infecções são difíceis de serem tratadas. A figura pública afirmou em suas redes sociais o medo que sentiu: “Sempre busquei a perfeição que, de fato, não existe”. Logo, pode-se reverberar sobre as sequelas da busca por uma perfeição utópica, na maioria das vezes, uma frustração por não atingir tais ideais.

Diante do exposto, fica clara a importância de valorizar as diversas belezas, por serem formadoras do contentamento estético. Nesse sentido, é papel da mídia- que desempenha grande influência na sociedade- juntamente com as empresas responsáveis por fabricar cosméticos, enaltecer todo o público utilizando modelos de diferentes aparências para as propagandas dos produtos. Dessa forma, o conceito de beleza se expandirá, mostrando que o de Regina Geoge não é único, e sim mais um.