Limites entre estética e saúde

Enviada em 24/08/2021

A plenitude do processo de saúde corporal é uma questão imprescindível para o desenvolvimento psicossocial das nações, dado que práticas basilares, como a manutenção da cidadania e a qualidade de vida. Entretanto, no Brasil, ilimitação entre se manter saudável e apresentar boa aparência é um dos problemas mais complexos a se enfrentar. Nesse contexto, analisa-se uma situação de contornos sociais, que configura um cenário antagônico aos preceitos dos direitos humanos e emerge devido à influência exterior e à pressão mental da comunidade sobre os corpos femininos.

Diante do exposto, em princípio, a indução externa é um dos fatores determinantes de o panorama estabelecer-se. A respeito disso, conforme o antropólogo Mantegazza, a ciência é o melhor instrumento para medir nossa ignorância. Isso se justifica pelo fato de mesmo o indivíduo apresentar a condição física saudável, ele ainda acredita não corresponder com os padrões sociais. Nessa ótica, a pesquisa científica e os avanços da medicina deveriam ser úteis para diagnosticar problemas na qualidade de vida desses indivíduos e não os intensificar. Prova disso, segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, a maioria dos procedimentos estéticos são para o aumento da mama, ou seja, o público alvo são as mulheres. Em conseguinte, com esse modismo, essas mulheres prosseguem realizando outras cirurgias para atingir uma beleza parecida com celebridades famosas, como a cantora Anitta. Por isso, essas intervenções estéticas exacerbadas não podem ser aceitas em nome dos direitos humanos.

Nesse prisma, é visto que a carga mental da sociedade sobre a feminilidade é outro fator determinante de o hiato permanecer. Acerca disso, a teoria da Eugenia, cunhada no século XIX, utiliza como base o Nazismo e defende o controle social como uma maneira de considerar aspectos melhores ou superiores dependendo de suas características. Isto é, quando a sociedade impõe um padrão estético, a tendência é que os sujeitos tornem realidade a idealização produzida pela mídia. Porém, ao não satisfazerem esse anseio moderno, as mulheres são excluídas e julgadas por não conquistarem o corpo ideal. Consequentemente, surgem problemas como a anorexia e bulimia. Assim, o pensamento de Mantegazza é comprovado com a necessidade da reformulação dessa postura ignorante.

Portanto, diante dos fatos supracitados, urge que a desenfreada busca pelo corpo ideal seja ceifada para a realização da sua intervenção. Para tanto, é substancial que o governo - órgão responsável, em especial, pela formulação e defesa de políticas públicas-, deve, por via do Ministério da Cidadania, orquestrar anúncios publicitários enaltecendo a beleza natural feminina. Ademais, por meio de verbas públicas, essa ação será efetivada. Por fim, com objetivo de tornar a saúde o principal foco, espera-se que a influência exterior e a pressão social da conjuntura demográfica não sejam mais problemáticas.