Limites entre estética e saúde
Enviada em 10/09/2021
No século XXI, é notável como o campo estético ganhou força, visto a popularização de procedimentos cirúrgicos e não-cirúrgicos, além do surgimento e ascensão das redes sociais, que aumentam a visibilidade de famosos e, indiretamente, impôs padrões de beleza a outras pessoas. Com isso, nota-se a pressão social por se encaixar em um modelo, bem como a atribuição de julgamentos por não estar nele. Em suma, é notório o impacto social provocado pelas redes.
Nesse sentido, esses padrões são criados pela união do estilo individual com o incentivo industrial, como as escolhas minuciosas na produção têxtil e os acordos de patrocínio. Através dessas etapas, a pessoa renomada expõe os produtos na rede e ganha “feedbacks” positivos, como curtidas e comentários, inspirando seus seguidores a buscarem o mesmo modo de se vestir. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em 2016, um a cada dois jovens procuraram procedimentos estéticos não-cirúrgicos, em detrimento com um a cada cinco em 2014, período coincidente com a popularização global do Facebook e do Instagram, plataformas sociais mais conhecidas. Em outras palavras, os adolescentes contemporâneos se submetem a melhorar sua estética de modo mais obsessivo do que as gerações passadas.
Por conseguinte, essa parcela da população tende a sofrer e a atribuir autocríticas de modo mais intenso e detalhista, resultando em estresse, ansiedade, depressão e até suicídio. Dados do documentário “o dilema das redes”, exibido pela plataforma audiovisual Netflix, expõem que a taxa de suicídio entre jovens subiu 30% entre 2011 e 2019 e comparam isso ao uso cada vez maior das redes, que determinam comportamentos pré-estabelecidos e influenciam o estilo de vida e a saúde emocional das crianças, por provocar a autocomparação e o encaixe no modelo idealizado das celebridades. Ocasionalmente, visualiza-se a dependência emocional ligada às redes sociais.
Torna-se evidente, portanto, a pressão estética no Brasil atual. A fim de aliviá-la, o governo federal, através do Ministério da Educação (MEC), deve incentivar os adolescentes a seguirem seus próprios estilos, livre de padrões e autojulgamentos, tirando o foco do conceito de estética padronizado e ampliando as possibilidades de estilos, além de propor “hashtags” como “#foradopadrão” e “#semfiltro”. Por fim, espera-se um país menos pressionado e livre de esteriótipos.