Limites entre estética e saúde
Enviada em 11/04/2022
No filme “o mínimo para viver”, Elle é uma jovem anoréxica que, na tentativa de alcançar o bem-estar consigo própria, desafia o seu corpo a suportar circunstâncias extremamente adversas, que por pouco lhe custa a vida. Fora da ficção, é possivel constatar a mesma situação no que tange à banalização de procedimentos estéticos, que apesar de prejudicar a saúde de milhares de pessoas, segue sendo apoiada por muitos. Sob tal ótica, torna-se imprescindível analisar a problemática, que persiste intrínseca em virtude de questões socioculturais e da má influência midiática.
Em primeiro plano, é preciso pontuar que o legado histórico de que é preciso existir um ideal correto de beleza caracteriza-se como um grave impasse. Nesse sentido, o psicoterapeuta Carl Jung defende que “todos nós nascemos originais e morremos cópias.” Isso porque, a fim de evitar os julgamentos e a exclusão social, a maioria dos indivíduos buscam se adaptar aos padrões vigentes na sociedade - motivo pelo qual dietas e cirúrgias plásticas arbitrárias se tornam gradativamente mais frequentes. Assim, a beleza é aclamada como questão moral e priorizada a qualquer custo.
Outrossim, convém ressaltar que os estereótipos propagados pela mídia também configuram-se como um empecilho. Sob esse viés, o documentário “o dilema da redes” retrata como as imagens podem ser facilmente manipuladas com o intuito de transparecer uma suposta perfeição natural. Dessa maneira, os usuários dessas redes, principalmente os jovens, são constantemente influenciados a estarem insatisfeitos com o próprio corpo e dispostos a fazer de tudo para atingir os padrões irreais. Nessa perspectiva, os meios midiáticos acabam por fomentar a ampliação da corpolatria.
Portanto, dado o exposto, torna-se imperativo a adoção de medidas que objetivem estabelecer limites entre estética e saúde. Logo, o ministério da educação (MEC), em parceria com os influenciadores digitais, devem produzir conteúdos acerca da temática com a finalidade de conscientizar a sociedade de que a beleza de cada um é única e deve ser valorizada. Isso deve ocorrer por meio de depoimentos de pessoas que são marginalizadas por “fugirem do padrão” e que se auto respeitam acima de qualquer padrão ou julgamento opressor, bem como mediante a exposição dos riscos dos procedimentos estéticos por profissionais da saúde. Com isso, será possivel evitar que mais individuos arrisquem a própria vida em prol de um corpo perfeito e que a tese de Carl Jung não seja uma caractistica tão evidente do mundo atual.