Limites entre estética e saúde

Enviada em 18/08/2022

É inegável que a busca pela estética perfeita sempre esteve presente nas expressões humanas. As telas renascentistas do século XV visavam alcançar o belo e o harmonioso, revelando a busca pela perfeição humana. Por outro lado, no contexto atual, o homem se submete a diversos procedimentos estéticos para conseguir o corpo perfeito e ignora os riscos que eles podem causar à saúde. Essa prática está atrelada a dois aspectos: a influência da mídia no pensamento humano e a massificação do indivíduo.

O surgimento da televisão, no século XX, no auge da Segunda Revolução Industrial, proporcionou uma significativa mudança nos meios de comunicação. Desse modo, as propagandas passaram a retratar mulheres com o corpo esbelto, o que acentuou a idealização do corpo perfeito, bem como ampliou as buscas pelos procedimentos estéticos que satisfaziam esse ideal, sem se preocupar com os riscos à saúde que eles poderiam trazer. Tal fato revela que a mídia e as propagandas têm grande poder sobre o pensamento humano e podem interferir direta ou indiretamente no seu comportamento diante das “exigências” sociais.

Aliado a isso, a sociedade está cada vez mais massificada, pois os indivíduos fazem parte de uma modernidade líquida, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, na qual, as pessoas tendem a buscar referenciais de beleza por terem a identidade individual passível de influências externas. Desse modo, a busca pelo corpo perfeito é resultado da falta de estabilidade identitária humana e ignora todos os riscos, tanto à saúde física, quanto à saúde mental dos indivíduos, visto que a prática de procedimentos estéticos é vista como uma solução para aquelas pessoas que não se encaixam no padrão massificado da sociedade e que por isso se sentem inferiores.