Limites entre estética e saúde

Enviada em 29/07/2024

‘’Não seja dramática, é só uma plástica, ninguém irá te amar se você não for atraente’’. Escrita pela cantora Melanie Martinez, essa frase pertence à canção ‘’Mrs. Potato Head’’, e faz alusão à realização de procedimentos estéticos como forma de aceitação dentro da sociedade. A busca pelo corpo perfeito transcende a música e se confunde com o conceito de saúde, uma vez que se maquia o padrão estético como algo essencial para um indivíduo saudável. Dessa maneira, é válido comentar o reflexo da influência crescente das mídias sociais nos limites entre estética e saúde, bem como sua consequência.

Sob essa perspectiva, um dos principais motores desse debate é a influência das redes sociais e da mídia. Uma prova disso são as trends de beleza expostas na rede social TikTok, em que influenciadores digitais compartilham suas rotinas de beleza e procedimentos estéticos, criando um ambiente onde a conformidade com tais padrões parece ser uma norma social de vida saudável. Sob essa ótica, uma vez que é criado um padrão de beleza gera um sentimento de não pertencimento nos indivíduos que não estão incluídos nesse ideal e passam a buscar meios de adaptação de seus corpos, como exercícios físicos e cirurgias plásticas.

Outrossim, os maiores impactos da visão de paridade entre estética e saúde são justamente para saúde das pessoas. A partir disso, o cirurgião plástico Douglas Jorge, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, aponta a existência da banalização das intervenções exclusivamente estéticas. Com base nesse fato, é possível perceber que a pressão para entrar em um ideal beleza pode levar a decisões apressadas e, em alguns casos, a procedimentos inadequados que podem incluir efeitos colaterais, complicações e a necessidade manutenção contínua.

Em suma, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, responsável por elaborar políticas de saúde mental, criar discursões sobre a problemática em programas televisivos e plataformas digitais. Isso deve ser feito por meio de verbas para prover a discursão de saúde e estética com especialistas e influenciadores digitais. A fim de estabelecer o limite claro entre estética e saúde e evitar os impactos negativos da naturalização de procedimentos estéticos para os brasileiros.