Limites entre estética e saúde

Enviada em 13/08/2024

Após ingerir uma fruta que concede habilidades especiais e emagrecer drasticamente, a personagem Alvida-Sama, da animação japonesa One Piece, antes considerada feia, passa a ser vista como atraente. Fora da ficção, no Brasil, é difícil estabelecer limites entre a estética e a saúde. Isso se deve, essencialmente, aos padrões de beleza idealizados e à intensa pressão social e cultural.

Em primeiro lugar, é importante destacar os padrões de beleza impostos pela sociedade como fator que leva à busca pela extrema magreza. Alarmantemente, a existência dessa conjuntura é reflexo da globalização, em que o crescimento exponencial das redes sociais contribuiu para a disseminação de um único padrão estético, predominantemente eurocêntrico: a delgadez. Neste contexto, a promoção de uma imagem corporal idealizada e irreal aumenta a insatisfação com o próprio corpo. Por conseguinte, nota-se o aumento de transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia, e de procedimentos estéticos evasivos, a lipo led.

Outrossim, é válido salientar a influência da indústria da beleza como agente que corrobora a distorção de imagem. Nesse sentido, fica evidente a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas, tais como regulamentações mais rigorosas sobre publicidade e produtos de beleza, que poderiam ajudar a mitigar a disseminação de padrões de beleza prejudiciais. Consoante ao artigo 196 da Constituição Federal, que assegura o direito à saúde, é dever do Estado proteger os cidadãos contra práticas que possam comprometer o bem-estar físico e mental. Assim, segundo as ideias do filósofo Michel Foucault, essa circunstância pode ser vista como uma forma de “biopoder”, em que o controle sobre os corpos e a saúde é exercido em favor de interesses econômicos, negligenciando a saúde pública.

Portanto, é preciso aplacar esse impasse. Logo, urge que o Ministério da Saúde, como responsável pelo bem-estar da população, por meio de campanhas publicitárias, exponha à população os riscos de aderir a padrões de beleza prejudiciais à saúde, a fim de que a questão da insatisfação corporal e dos transtornos alimentares seja resolvida. A partir dessas ações, poderá ser consolidado um Brasil menos vulnerável às imposições estéticas e mais saudável.