Limites entre estética e saúde

Enviada em 11/09/2024

Segundo a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), 2 em cada 60 mil procedimentos estéticos terminam em morte por ano no Brasil. Tal fato evidencia a necessidade de discutir-se acerca dos limites entre estética e saúde, contestando principalmente a mudança drástica e volátil dos padrões de beleza escolhidos, além do acarretamento de problemas sérios na saúde mental e física.

A priori, é indiscutível a importância de fixar advertências entre a busca desenfreada pela beleza e o bem-estar, visto que tal procura ocasiona, por muitas vezes, em doenças mentais graves, como a ansiedade, depressão e principalmente transtornos alimentares, como a bulimia e compulsão. O dito apontamento é confirmado pela pesquisa realizada pela OMS em 2024, a qual afirma que 1 em cada 5 jovens de 6 a 18 anos sofrem de alguma desordem na dieta. Dessa maneira, é visível a exigência de questionar sobre a causa primária de tal enfermidade nutritiva e elaborar um método para combatê-la.

Dessa maneira, de acordo com as consequências já mencionadas anteriormente, há uma relevância em argumentar sobre a diferença exagerada a respeito do padrão de beleza escolhido e como isso afeta as escolhas das massas. A exemplo disso, tem-se a diferença extrema entre a versão apreciada esteticamente das décadas de 20 e 30, em que inicialmente os corpos retos eram mais valorizados, e logo depois as curvas tornaram-se cada vez mais essenciais, ocasionando, segundo a historiadora Ophelia Williams, na presença expressiva de cirurgias plásticas imprudentes de retirada de costelas para diminuir a cintura. Tal acontecimento confirma o quanto as vontades populacionais são manipuladas pela escolha de poucos.

Conclui-se dessa forma, a necessidade de realizar uma intervenção sobre a problemática. Com isso em mente, o Ministério da Educação —responsável pela setor educacional infanto-juvenil—, juntamente com o Ministério da Saúde, deve apresentar, por meio de palestras nas escolas, o quanto o padrão estético por muitas vezes é desvinculado da noção saudável corporal. Isso será realizado com o fim de expressar as patologias que a busca desenfreada pela perfeição visual causa, com o objetivo principal de diminuir os casos de desordem alimentícia.