Limites entre estética e saúde

Enviada em 22/10/2024

A Constituição Federal, promulgada em 1988, prevê para todos os cidadãos o direito à saúde e liberdade. Entretanto, na prática, essa garantia é deturpada, visto que o alcance de padrões estéticos são estabelecidos pelas mídias hodiernamente, limitando para muitos, o gozo desses direitos na sociedade brasileira. Desse modo, tal cenário ocorre tanto pela influência das redes sociais, que estabelecem tais padrões, como também devido à falta de diálogo familiar sobre o assunto.

Destarte, é primordial pontuar que esse problema deriva da tendência narcizista presente nas redes sociais, como o Instagram, por exemplo, que deturpam a realidade através de filtros, podendo levar a disturbios como a dismorfia corporal. Tal fato, tem aumentado a busca por procedimentos estéticos como a harmoniza–ção facial. Em “As vantagens de ser Invisível”, de maneira ficcional, é retratada a realidade de muitos jovens brasileiros que encontram dificuldades sociais na busca por pertencimento. Nesse sentido, o padrão de perfeição estimulado pelas redes sociais, se configura como um risco à saúde desses indivíduos.

Outrossim é a falta de diálogo familiar, que agrava a necessidade de exposição e instiga a busca pelos padrões estéticos estabelecidos, vizando a aceitação social. Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sendo assim, o diálogo no âmbito familiar é de extrema importância para esclarecer tais equívocos e frear os efeitos nocivos que essa “cultura” da perfeição pode causar à sociedade, especialmente aos jovens.

Contudo, a adoção de medidas contra a busca por padrões estéticos pré-estipulados é fundamental para a manutenção da saúde pública. Assim, mostra-se necessária a criação de campanhas de conscientização nas escolas e universidades do país, cabendo ao Ministério da Saúde, através da liberação de verbas aos estados, o patrocínio de palestras voltadas a prevenção de distúrbios de imagem causados por essa exposição. Dessa maneira, será possível alertar a população sobre os riscos do uso indiscriminado dos filtros de imagem e garantir um pensamento mais crítico sobre as decisões que a mídia tem em relação ao corpo e à liberdade de expressão de cada indivíduo.