Limites entre estética e saúde
Enviada em 31/10/2024
No conto de fadas da Branca de Neve, um tema abordado é a disputa doentia pela beleza. Na história, a madrasta da personagem principal é obcecada em ser a mulher mais bela do lugar, e, para isso, é capaz de cometer atos extremos. Nesse sentido, vale a analogia entre a atualiade e a trama citada, uma vez que hoje se verifica uma incessante busca de um padrão de beleza nocivo por meio de cirurgias estéticas. Isso se dá, entre outros fatores, em razão da imposição da opinião pública na vida particular das pessoas, e pode levar a danos irrepreráveis à saúde de quem busca a perfeição.
Primeiramente, defende-se que a aderência crescente a cirurgias remodeladores é decorrência da pressão social por um ideal de beleza. Sob esse viés, é interessante o que elabora o filósofo Pierre Bourdieu, para quem tal autoritarismo da aparência seria clara manifestação da violência simbólica, que se caracteriza por um tipo de agressão social sutil, perpetuadora de preconceitos como o que é tratato. Nesse sentido, comentários ofensivos feitos em redes sociais sobre o corpo de alguém, por exemplo, são evidência de como a sociedade impele as pessoas à não aceitação, acarretando, assim, a violência de que fala Bourdieu.
Por conseguinte, a saúde de corpos funcionais pode ser posta em risco em nome do embelezamento clínico. Um exemplo desse perigo sao os procedimentos de preenchimento labial com botox, feitos através da inserção de uma toxina nos lábios. Essa toxina, produzida por uma bactéria, pode ser letal se mal manuseada, e revela a que ponto sacrificam o próprio corpo algumas pessoas, mesmo sabendo de possíveis adversidades. Ademais, há uma tendência facilmente verificável em alguns artistas, como a Anitta, de que que um só procedimento nunca é o suficiente, o que leva a outras cirurgias e, assim, outras invasões no corpo.
Portanto, conclui-se que o assunto é sério e exige sensibilidade em sua lida. Assim, sugere-se a criação, pelo Ministério da Educação, de um programa de conscientização sobre aparência física e sua modificação. O programa consistirá em palestras sobre o tema em escolas, e tentará diálogos acerca de autopercepção e autoestima, levado a cabo por psicólogos. A intenção é que ali se entenda que a aparência não define uma pessoa, mensagem que deve ser mais propagada.