Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 26/09/2020
As mudanças que ocorreram com a Revolução Informacional redefiniram, de forma expressiva, a sociedade e a economia a partir do século XX. Nesse cenário, a ampliação nas relações entre diferentes realidades socioculturais possibilitou o desenvolvimento de conflitos no ciberespaço, como os linchamentos que acontecem hodiernamente. Isso se deve, em grande parte, à ausência governamental e à fragilidade educacional.
Em primeira análise, nota-se que a inadimplência do Estado no combate a conflitos nas redes sociais, especialmente os que impactam na vida real - contribui com a perpetuação do problema. Nesse viés, Aristóteles, filósofo grego, defende, no livro “Ética a Nicômaco”, que a política serve, não só para garantir os direitos naturais, mas também para a felicidade dos cidadãos. Atualmente, no entanto, ocorre a banalização do ambiente virtual em virtude da pouca, em grande parte ineficaz, participação do Governo, e isso fomenta a estabilidade de uma “terra sem lei” em que ações criminosas, como linchamentos, são constantes.
Ademais, é importante destacar que a mecanização atual da educação influência negativamente nas relações interpessoais no ambiente virtual. Sobre isso, o educador Paulo Freire defende, no livro “A educação do oprimido”, que o ensino é uma forma libertadora cujo objetivo é despertar a criticidade do aluno, de modo a incentivá-lo na busca de sua consciência social. Entretanto, as instituições educacionais, frequentemente, se limitam a cálculos e conceitos sem, contudo, adaptar o estudante à realidade em que se encontra, o que é um entrave.
Portanto, medidas são necessárias para amenizar o quadro em questão. Logo, o Congresso Nacional, por meio de investimentos no setor de tecnologia e informação (TI), deve monitorar e mediar conflitos nas redes sociais - como, por exemplo, com a criação de softwares que identifiquem palavras que incitem ódio ou violência -. Nesse sentido, espera-se que essa ação construa um cenário mais pacífico nas redes sociais e o problema seja equacionado no Brasil.