Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 02/10/2020

O marco civil da internet, em seu artigo 3°, garante a liberdade de expressão na rede, porém tal direito não deve ser imperado pela violência, como ocorre com os linchamentos virtuais. Nesse contexto nota-se que, com a disseminação da era informacional, oriunda da III Revolução Industrial, o alcance das redes sociais potencializou-se, bem como a propagação de comentários ofensivos nessas plataformas, o que pode trazer consequências psicológicas para os usuários atingidos e reforçar preconceitos.

Em primeiro plano, observa-se que o avanço da internet foi um fator decisivo no compartilhamento de ideias e opiniões na rede. Sob essa óptica, de acordo com o filósofo Aristóteles, o homem é um ser social, o qual precisa continuamente estabelecer relações interpessoais para se desenvolver. Entretanto, percebe-se que, nos dias hodiernos, devido à problemática dos linchamentos virtuais, motivada por divergências de opiniões ou perpetuação de preconceitos, alguns usuários se afastaram desse ideal de desenvolvimento. Dessa forma, exemplo disso foi o caso da jornalista “Maju”, vítima de racismo nas redes sociais por ser negra e ocupar uma posição de destaque em um telejornal, revelando que os linchamentos podem ocupar posições extremas e até mesmo criminosas.

Ademais, deve-se ater para o fato de que tais críticas afetam profundamente o psicológico das vítimas. Nessa conjuntura, segundo o filósofo John Locke, o indivíduo é uma folha em branco, cujo estado emocional relaciona-se com as experiências vividas, de modo que as pessoas atingidas pelas ofensas podem desenvolver transtornos associados à baixa autoestima ou mesmo traumas quanto ao uso da internet. Assim, vê-se que os espaços virtuais estão perdendo seu caráter de comunidade em prol de um individualismo presente em usuários que buscam impor seus ideais de forma violenta, prática que já se tornou comum e, por vezes, banalizada, o que traduz o conceito de banalidade do mal, da filósofa Hannah Arendt, o qual consiste em naturalizar ações danosas à sociedade.

Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar o impasse. Destarte, cabe ao Ministério da Educação inserir no plano de ensino básico das escolas aulas de educação virtual, as quais devem ser ministradas por professores de informática e sociologia, que devem abordar aspectos técnicos e sociais necessários para uma boa convivência em rede, com o fito de formar internautas conscientes. Por fim, os alunos que identificarem que foram vítimas de linchamentos devem ter apoio psicológico oferecido pela própria escola, mediante psicólogos que devem atender semanalmente. Assim, observar-se-á uma geração de usuários que atuam à luz do marco civil.