Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 26/09/2020

Com o advento do meio técnico-científico-informacional após a Guerra Fria nos anos 1980, a globalização consolidou-se firme e permanece até hoje. O amplo acesso a redes possibilitou um compartilhamento cada vez maior de opiniões e, com isso, o surgimento da chamada “Cultura do cancelamento”, na qual o indivíduo é linchado de julgamentos ao fazer uma postagem polêmica ou de mau gosto. Torna-se necessário, portanto, o debate acerca das motivações e consequências prejudiciais de tais linchamentos virtuais.

Em primeiro plano, urge analisar as motivações do bombardeamento de mensagens ofensivas a indivíduos que cometeram um ato virtual falho. Sobre isso, entende-se que o sentimento de impunidade proporcionado pelo anonimato das telas, aliado a chamada cegueira moral descrita por Zygmunt Bauman impulsionam tais atos. Essa cegueira é caracterizada por uma sociedade que tem como fim último o próprio eu, a indiferença e a dificuldade de se colocar no lugar de seu semelhante são algo extremamente presentes na cultura conectada por redes. Faz-se imprescindível, portanto, a dissolução de tal conjuntura.

Outrossim, é válido ressaltar os impactos negativos de tal panorama aos indivíduos que erraram ao fazer uma publicação. A viralização de opiniões e mensagens de ódio inflige ao alvo de tais insultos um sentimento de não pertencimento à comunidade e culpa, o que pode ocasionar na sua exclusão e, ainda, consequências aos seus relacionamentos pessoais, relações de trabalho e afetivas. Em casos mais graves, a pessoa pode desenvolver problemas emocionais como depressão, podendo até terminar em suicídio. Entende-se então, a gravidade desse comportamento na sociedade atual, merecendo um olhar mais crítico de enfrentamento.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática. Para tanto, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), propor um amplo debate com representantes de desenvolvedoras das redes sociais mais utilizadas, com a finalidade de reformularem as diretrizes das plataformas para que vinculem conteúdos aos internautas sobre as consequências de veicular mensagens de ódio e a importância de se promover debates saudáveis. Espera-se, com essa ação, que os usuários se tornem mais conscientes sobre seus atos e apenas denunciem conteúdos de mau gosto ao invés de promover linchamentos virtuais. Feito isso, a globalização consolidada rumará para a promoção da paz.