Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 28/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o combate aos linchamentos virtuais apresenta barreiras, que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de regulamentação da internet, quanto do sentimento de justiceiro das pessoas.
Primeiramente, é imprescindível salientar que a inexistência de regulamentação dos meios digitais deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismo que coibam tais recorrências. Desse modo, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, devido a falta de atuação das autoridades, a ocorrência de linchamentos virtuais é consequência da ausência de leis que devem policiar as postagens e comentários nas redes sociais. Por consequência, esse cenário facilita ocorrer publicação desrespeitosas nos meios digitais.
Outrossim, cabe salientar que o sentimento de justiceiro propicia o surgimento de linchamentos virtuais. Dessa forma, é notório que a internet facilitou o contato entre as pessoas, com isso, a expansão da audiência de postagens indevidas, faz com que ocorra o aumento de comentários desrespeitos como forma de repreensão de tais publicações. Por conseguinte, esse tipo de crítica pode propiciar o surgimento de doenças psicológicas, como a depressão.
Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Justiça, elaborar um conjunto de leis que regulamentem o uso das redes sociais, deixando de forma explícita os tipos de publicações que não serão permitidas, com o objetivo de reduzir a ocorrência de linchamentos virtuais. Ademais, cabe ao Ministério da Educação, implementar na grade comum curricular um conteúdo na disciplina de Sociologia, em que, auxilie os alunos sobre como usufruir dos meios digitais, abordando as consequências de comentários ofensivos, através de situações problemas e aulas práticas, a fim de desenvolver estudantes que saibam utilizar, de forma respeitosa, a internet. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade que busca aproximar-se da ideia defendida no livro de More.