Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 26/09/2020
Em 2015, o youtuber e humorista Júlio Cocielo recebeu inúmeras críticas e xingamentos ao fazer um comentário potencialmente racista, fazendo com que ele perdesse patrocínios e parcerias até os dias atuais, mesmo que esse acontecimento fosse seu primeiro e único “deslize”. Assim como Cocielo, há várias outras pessoas que sofrem linchamento virtual, tendo como causa traumas e doenças psicológicas; pois, além de existir crenças que afirmam que não se pode errar, os usuários da internet não recebem auxílio de como devem se portar nesse ambiente.
Primeiramente, é notável os fortes padrões de perfeição que são implantados nos jovens, fazendo com que esses julguem e destinem ofensas a quem comete erros, desconsiderando a possibilidade de ensinar o “certo” às vítimas. Nesse sentido, Guy Debord escreveu o livro “A Sociedade do Espetáculo” baseado nesse fenômeno, esse apresenta que todas as pessoas vivem em um espetáculo, tentando sempre dar o melhor show para os outros, de forma que não possam errar nunca. E, bem como na obra do escritor francês, no contexto cibernético atual, ninguém pode cometer erros e, se os cometer, sofrerá linchamentos pelos internautas.
Ademais, em decorrência do fato da internet ser uma criação recente, muitas pessoas não sabem como devem agir nela, de forma que façam o que quiserem, não medindo seus atos e consequências. Tendo em vista essa perspectiva, é assim que ocorrem os linchamentos virtuais coletivos ocorrem. Dessa maneira, se torna observável a necessidade de conhecimento por parte das pessoas nesse quesito, pois, segundo Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”, reforçando a importância de que a sociedade adquira educação sobre o impasse, tornando possível a diminuição da perpetuação do ódio, uma vez que, quando se aprende que a propagação de coisas ruins não é bom, o cidadão parará de a fazer.
Portanto, é claro que mudanças precisam ser tomadas a fim de extinguir o problema. Logo, é dever do Ministério da Educação propor, por meio de investimentos, a contratação de psicólogos certificados que vão trabalhar nas escolas públicas, esses deverão não só prestar atendimento àqueles estudantes que foram vítimas de linchamentos, como também terão de ministrar palestras acerca do comportamento ideal para a internet e, ainda, como as atitudes podem gerar sequelas nos outros, conscientizando as crianças e adolescentes a respeito. Assim, jovens diminuíram seus insultos a outras pessoas na internet, diminuindo, também, os traumas decorrentes desses. Só assim, os linchamentos virtuais serão, finalmente, minimizados.