Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 22/11/2020

A série “Black Mirror” retrata futuros distópicos com tecnologia avançada,  em um de seus episódios, investiga-se a morte de pessoas após serem vítimas de linchamentos virtuais. Assim, aborda-se uma prática criminosa atual em que os agressores, chamados de “haters”, disseminam comentários de ódio contra suas vítimas. Eles podem ser motivados por um senso de justiça tóxico ou dores pessoais e, em decorrência deles, a vítima pode sofrer isolamento social e transtornos como a depressão.

Primeiramente, ressalta-se que uma pessoa com senso de justiça tóxico não julga as ações de outra, mas a humilha como indivíduo. De acordo com a revista “Superinteressante”, o hater enxerga na vítima o “mal” a ser combatido e, para isso, utiliza comentários maldosos que se propagam para todos por meio da internet e podem levar a vítima ao isolamento social. Por esse motivo, linchamentos virtuais ameaçam a democracia em uma sociedade, pois criam um espaço de intolerância em que um pequeno comentário pode custar a vida de um cidadão.

Outrossim, esse tipo de criminoso pode possuir problemas internos que o fazem agir violentamente em busca de satisfação, fato que o leva a repetir o crime. Segundo o psicólogo Bernard Golden,  uma das causas para uma ação de ódio é a tentativa de se distrair de dores emocionais ao humilhar outras pessoas, que afetadas por isso, poderão desenvolver transtornos como a depressão. Logo, os linchamentos geram um ciclo de violência em que o agressor, sempre em busca de distração, humilha novas vítimas e ignora os impactos causados por isso.

Portanto, urge ao Estado impedir esse tipo de violência na internet. Nesse intuito, o MEC (Ministério da Educação) pode conscientizar as novas gerações ao inserir a temática “ética nas redes sociais” na ementa escolar. Além disso, esse ensino pode ser complementado por meio de palestras que abordem exemplos dentro da realidade brasileira e suas consequências. Dessa maneira, no futuro poderemos lembrar dessa prática como algo do passado ao invés de um fantasma que nos atormenta.