Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 27/09/2020

“O inferno são os outros” dizia o pensador francês Jean Paul Sartre. Tal pensamento pode expressar a concepção de que estamos sempre a observar e julgar a ação alheia pela nossa própria régua. Neste sentido, a avaliação que fazemos sobre o comportamento do outro nunca foi tão hiperbólica e danosa quanto no caso dos chamados linchamentos virtuais.

Em primeiro lugar, podemos nos lembrar de outra frase de Sartre: “A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Assim, no caso do linchamento feito pelas pessoas nas redes sociais, verificamos uma escalada de agressão que obedece a uma lógica medieval de se julgar e condenar sem o direito da dúvida e de defesa. Este é o exemplo de Alicia Ann Lynch, uma jovem norte-americana de 22 anos, que publicou uma foto vestida com uma fantasia para o Halloween se dizendo vítima da maratona de Boston (atentado terrorista acontecido em 2013). Neste caso,  a brincadeira não foi bem recebida. O linchamento virtual se transformou em real e a jovem teve que trancar-se em casa. Logo depois perdeu o emprego, pois seu chefe foi constrangido pelas redes sociais a demiti-lá.

Outro aspecto a considerar, além da violência incrustada na sociedade em geral, é o fato de o linchador ser um iletrado virtual, que é incapaz de ter senso crítico sobre as fontes da informação que recebe e sobre as consequências em relação ao que repassa. Neste sentido, ressalta a pesquisadora da Unicamp Karen Tank Mercuri Macedo: “Se a pessoa não tem uso crítico da tecnologia, não conseguirá avaliar a fonte das informações que recebe e tem mais chances de ser um linchador ou linchado em potencial.”

Logo, são necessárias medidas urgentes para atenuar a ocorrência de tais eventos. Dessa maneira, é importante que as empresas de mídias sociais criem protocolos de avisos sobre postagens que podem causar dano e também desenvolvam projetos de letramento digital e ética nas redes sociais para que os usuários se disciplinem a pensar antes de postar.