Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 28/09/2020
O linchamento virtual é uma das consequências do rompimento do homem com o contrato social defendido por Thomas Hobbes em o Leviatã. O cidadão resolve se apropriar do poder de julgar e o faz sem respeitar o devido processo legal, o contraditório, assim como também o direito a presunção a inocência, todos direitos defendidos na Constituição Federal como cláusula pétrea. Colocando em risco a democracia.
Primeiramente vale ressaltar que o crime de linchamento virtual tem como uma de suas característica o fato de se ter um agente que se sente oprimido por um Estado ineficaz, moroso, ausente e injusto. Dessa forma, o transgressor toma para si a responsabilidade da aplicação da justiça, da moral e dos bons costumes. E aqui nos deparamos com um dos principais problemas da justiça privada, o fato que o julgador somente levará em conta os seus valores sócio-culturais, carregados com os discursos discriminatórios, de ódio, de medo e intolerância quanto às minorias.
De certo que a velocidade e a propagação desse discurso em meios virtuais alcançam um público cada vez maior, trazendo consequências para a sociedade e para a vítima. A sociedade vê os seus valores sendo mitigados, e postos em risco quando o linchamento virtual aparece em forma de fake news nas campanhas eleitorais, a exemplo a eleição americana que elegeu o Trump. Além disso a esfera pessoal da vítima de um linchamento virtual é também atingida, visto que esta sofre com tantos ataques que em muitos casos causam danos psicológicos, e quando não , danos físicos, pois tais atos transportam o virtual e entram no campo real, como ataques presenciais.
Diante desse quadro, é primordial que Estado junto ao Ministério da Justiça e Legislativo ofereça uma justiça mais célere, através da redução dos recursos penais, nos ofertando uma justiça mais efetiva. É importante implementar leis que obriguem as empresas de aplicativos sociais a bloquearem e identificar o agressor. Desta forma, estaremos agindo no cerne do problema, o anonimato e o sentimento que a justiça não é feita.