Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 01/10/2020

O Marco Civil da Internet, sancionado em 2014, assegura a privacidade e a segurança no cenário online brasileiro. Todavia, a existência de linchamentos virtuais evidencia que essa lei não está sendo respeitada na prática. Nesse contexto, pode-se dizer que a existência desse tipo de comportamento está intrinsecamente atrelado ao fenômeno da justiça com as próprias mãos e promove graves consequências.

Mormente, é evidente que os linchamentos virtuais existem e são intensificados pela existência de tribunais populares. A esse respeito, a professora, artista e drag queen Rita von Hunty afirma que a internet imita a violência cotidiana. Nessa conjuntura, é seguro afirmar que fenômenos da vida real são reproduzidos nas redes sociais, a exemplo da justiça com as próprias mãos, uma vez que a facilidade de reunir grupos, tal qual a existência de mecanismos, como o anonimato, contribuem e motivam pessoas a lincharem outras, as quais promovem atos que, na visão dos justiceiros, são inconcebíveis. Destarte, enquanto a própria internet prover ferramentas para a perpetuação dessa realidade, os linchamentos virtuais continuarão a existir.

Consequentemente, esse ato causa graves efeitos na vítima. A exemplo disso, o portal de notícias G1 divulgou o caso de uma mulher que se fantasiou de índia nas redes sociais durante o carnaval. Posteriormente, não demorou muito para que justiceiros sociais aparecessem para afirmar que ela não devia ter feito isso, pois, para eles, índios não são fantasias, mas um povo com seu próprio costume e vivência, o que resultou em várias ofensas e a garota desativou as redes sociais com medo das ameaças. Contudo, não se deve promover esse tipo de juízo de valor, uma vez que já existe, na legalidade, a Justiça(com J maiúsculo), a qual é responsável por manter a homeostase social, além dessa prática trazer danos psicológicos à vítima, como a depressão e a ansiedade.

Urge, portanto, uma solução para essa problemática. Para isso, cabe ao Ministério Público Federal, por meio de uma ação, a qual deve elaborada e aprovada pelo Poder Judiciário, criar uma lei que deve classificar a justiça nas redes sociais um crime. Essa jurisdição deve obrigar as redes sociais a pedirem o CPF e o nome real do usuário durante o cadastro, a fim de que dificulte a criação de perfis fakes e anônimos, além de multar, em um salário mínimo, aqueles que iniciaram movimentos de linchamento virtual. Assim, espera-se que, com essa nova lei, esse fenômeno seja atenuado e a justiça seja feita pelo órgão competente a ela.