Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 28/09/2020

Desde a Revolução Técnico-Científico-Informacional, percebe-se que a dificuldade da aplicação da cidadania, na esfera virtual, tornou-se a realidade da maior parte dos países globalizados. De modo análogo, no Brasil, vê-se que essa problemática ainda perpetua no espectro social, já que muitos cidadãos são linchados diariamente nesse meio. A partir de uma análise desse impasse, observa-se que essa problemática dá-se devido à ineficácia da aplicação de leis efetivas que punam esses atos ilegais. Além disso, essa prática  é motivada nesse âmbito, pois ela  pode ser anônima.

A princípio, compreende-se que as leis que asseguram igualdade entre os cidadãos brasileiros não são aplicadas no mundo virtual. Isso se deve ao fato de no meio ‘‘online’’ as pessoas podem expor seu pensamento, mesmo que esse seja prejudicial a outrem, sem frequentemente sofrer punição governamental. Esse quadro contribui para os atos que promovam os linchamentos virtuais, tendo em vista muitas pessoas  marginalizam determinado cidadão sem sofrer qualquer penalidade. Essa situação mostra uma ruptura com o contrato social, expresso pelo filósofo iluminista John Locke, uma vez que, com o objetivo de ser governado pelo Estado, os cidadãos esperam que esse amenize as mazelas sociais e garanta a igualdade nacional. No entanto, verifica-se que atos antiéticos virtuais continuam assolando a realidade de muitos brasileiros, o que comprova a ineficácia estatal nesse meio.

Ademais, é irrefutável que o  anonimato é um fator contribuinte para os linchamentos virtuais. Isso acontece porque muitas pessoas utilizam dessa opção para postar as suas mensagens que geralmente não antidemocráticas e que ferem os direitos cidadãos expostos na Constituição de 1988. Isso tem como desdobramento, o aumento da margem desse quadro, haja vista que, sem a identificação, dificulta o processo do descobrimento do início desse ato e também dos contribuintes do mesmo. Como consequência desse contexto, percebe-se que muitas pessoas, depois de passarem por essa situação, adquirem sérios problemas para se integrarem novamente a dinâmica social. Comprova-se isso pelo norteamericano Carfertty que perdeu o emprego pelo fato do seu gesto ser mal interpretado e, rapidamente, ser divulgado nas redes sociais, onde sofreu um intenso processo de crítica. De fato, o ambiente virtual está inseguro para a humanidade.

Portanto,é necessário que o ambiente virtual tenha uma fiscalização legal que amenize as práticas de linchamento virtual. Desse modo,cabe ao governo - por ser o responsável desse impasse - promover projetos virtuais,por meio de profissionais qualificados da área,em todos os sites de comunicação,os quais detectem essas práticas antidemocráticas e punam os responsáveis, a fim de que todos tenham os seus direitos garantidos e seguros. Assim, a globalização entrará em compasso com a cidadania.