Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 28/09/2020

Em “Gossip Girl” é retratada a vida de Jenny Humphrey que, após ingressar em um novo ciclo social, passou a ter sua vida íntima divulgada em blog, o que a fez sofrer com a exclusão da família e amigos. Fora de ficção, a série apresenta um grande desafio no cenário mundial: os linchamentos virtuais. Nesse contexto, seja pelo ataque ao livre debate e pensamento, seja pelos danos psicológicos e sociais causados as vítimas, esse comportamento é um problema expressivo e merece um olhar mais crítico de enfrentamento.

Inicialmente, deve-se ressaltar que a “Cultura do Cancelamento”, termo designado a prática do linchamento virtual de indivíduos com ideias heterogêneas, é um comportamento que gera medo e ansiedade nos usuários das redes sociais, posto que os coloca sobre constante julgamento. Dessa forma, as pessoas passam a evitar compartilhar seus pensamentos nas mídias, o que afeta o princípio da livre expressão, desestimula o debate e, consequentemente, a democracia. Com isso, diversos intelectuais, como J. K. Rowling, assinaram a “Carta Aberta Contra a Cultura do Cancelamento” e alertaram sobre o perigo da homogeneização dos discursos, que é um processo comum em sistemas antidemocráticos.

Outrossim, faz-se necessário evidenciar que os ataques virtuais, por conta da grande repercussão, passaram a afetar a vida pessoal e profissional de suas vítimas, o que causa diversos danos psicológicos e a exclusão social. Isso pode ser observado em Gossip Girl quando Serena, outra personagem da série, teve sua permanência na faculdade ameaçada por boatos nas mídias sociais que quase geraram sua expulsão, o que mostra o impacto dessa ação na vida dos indivíduos. Além disso, esses atentados podem se transformar em gatilho para o abuso de drogas e álcool, de forma a agravar ou gerar doenças como a depressão, a ansiedade e a síndrome do pânico.

Portanto, a fim de evitar os linchamentos virtuais e atenuar as consequências da cultura do cancelamento na sociedade, as empresas de tecnologia que desenvolvem produtos como o Instagram, Twitter e Facebook devem promover a criação de curtas metragens, documentários e postagens que mostrem para os usuários das redes sociais as consequências da violência psicológica na internet e como evitar fazer parte desses ataques, para educar e conscientizar os indivíduos sobre a real influência dessas práticas na vida das pessoas. Além disso, essas plataformas devem desenvolver sistemas que identifiquem ofensas e um alto compartilhamento, de forma a diminuir a visibilidade da informação e permitir a pessoa afetada o direito de se retratar sem ter sua vida drasticamente afetada.