Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 28/09/2020

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante a liberdade de expressão e o acesso à internet para tal. No entanto, devido a falta de educação virtual os prejuízos são evidentes na sociedade. Sob essa ótica, a intolerância a respeito de opiniões diferentes, bem como o excesso de publicações e compartilhamento que tornam o linchamento virtual algo vivido na prática diária, são fatores preponderantes para o desequilíbrio social.

Em primeiro lugar, é fundamental ressaltar que o meio virtual facilitou a interação civil, em consonância teve um aumento significativo do preconceito nesse ambiente. Segundo Eli Pariser, as pessoas não conseguem lidar com o diferente, pois vivem em suas “bolhas”, sendo a internet uma grande colaboradora. Percebe-se, nesse viés, que a intolerância diante das posições contrárias são presentes no cotidiano, além da discriminação e comentários desrespeitosos com a cor, sexo, religião e aparência física do outro. Por conseguinte, as pessoas que são vítimas desse crime são machucadas psicologicamente, tornam-se retraídas e antissociais por conta das agressões.

Ademais, convém frisar ainda, que as publicações postadas com o objetivo de difamar o outro causam malefícios, por vezes irreversíveis. Exemplo disso foi o ocorrido em Guarujá, São Paulo, consoante o jornal O Globo, em 2014, uma mulher foi espancada até a morte por ter fotos divulgadas e falsamente associadas a magia negra com crianças. Dessa forma, evidencia que o linchamento virtual não fica restrito a esse meio, tornando assim, algo real. Logo, as pessoas que compartilham notícias falsas e fazem comentários deselegantes também cometem crimes. Desse modo, podem tirar a vida de alguém com o mau uso das redes sociais.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver esses impasses e dirimir a violência cibernética. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação investir em políticas públicas voltadas para a educação virtual, por meio de disciplinas curriculares obrigatórias que se baseiam em palestras, debates e consultas com psicopedagogos, a fim de ensinar sobre o respeito às diferenças e buscar encontrar qualquer mudança comportamental nos discentes que são vítimas das atitudes intolerantes. Por fim, o Poder Judiciário deve ampliar e divulgar as formas de denúncia pelos crimes cometidos nas redes de computadores, e punir os infratores não só coercitivamente, mas de forma educativa, com trabalhos voluntários, com a finalidade de educá-los e mostrar que no ambiente virtual há punição. Assim, a Carta Magna será cumprida e haverá equilíbrio social.