Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 28/09/2020
O gadget para celular “Secrets”, lançado em 2014, revelava a intimidade física e comportamental de diversos civis, sem expor o usuário narrador. Dessa forma, aqueles que não concordavam com determinado feito exposto promoviam o linchamento virtual da vítima, pela apatia ao vislumbrado. Nesse sentido, seja pelo desrespeito à individualidade alheia ou pelo falso conservadorismo intrínseco à sociedade, os julgamentos cibernéticos carregam mais relevância do que aparentam e, por isso, carecem de cuidados.
Previamente, é necessário salientar que o contato com o diferente deve ser o mais empático possível. À medida em que a Terceira Revolução Industrial disseminou a internet, o intercâmbio de culturas e ideias foram impostos, tendo como consequência a latente intolerância frente às opiniões e hábitos não compartilhados. Dessa maneira, brigas e ofensas, que podem marcar eternamente o indivíduo, são travadas pela incompreensão da pluralidade do ser. Prova disso é o ocorrido com a cantora Anitta, sofredora de várias críticas online por sua orientação sexual e posicionamento político. Segundo o psicanalista Sigmund Freud, tudo que é novo causa resistência. Desse modo, estabelecer bases para a utilização mais respeitosa dos meios informacionais é imperioso visando o bem estar dos internautas.
Ademais, a recusa aos tempos modernos faz com que muitos indivíduos exponham um moralismo falacioso. Analogamente ao ocorrido com as mulheres criticadas por seus corpos expostos no aplicativo de confissões (“Secrets”), incontáveis cidadãos enviam imagens sensuais aos seus parceiros afetivos. Entretanto, o apego às normas retrógradas ainda determinam esse ato como um problema. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, em seu livro “Retrotopia”, a valorização do passado é comum próximo a um futuro incerto e revolucionário. Logo, possibilitar uma maior compreensão social e dos meios informacionais é fundamental para possibilitar o desapego de estigmas antigos.
Portanto, ações são indispensáveis para que o privilégio de expressar-se virtualmente não seja mais motivos de traumas. Sob essa ótica, a criação de propagandas que instruam a tolerância e respeito ao outro nas redes, por meio de iniciativas publico-privadas entre o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e empresas midiáticas, fazendo uso da renda do Ministério da Cidadania para custeio, é essencial a fim de diminuir o discurso de ódio online. Além disso, aumentar o contingente de aulas de Sociologia nos níveis médios de ensino, por intermédio de uma ementa legislativa feita pelo Congresso Nacional, que torne obrigatório a abordagem do convívio em rede no século XXI é mister no intuito de educar os mais novos a utilizar melhor a internet. Apenas assim evitaremos constrangimentos e danos causados virtualmente, como ocorrido por “Secrets”.