Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 30/09/2020
A Declaração Universal dos Direitos humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no atual cenário brasileiro, observa-se o contrário quanto à questão dos linchamentos virtuais e suas consequências na sociedade atual. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do pensamento de competência de justiça das massas e do legado histórico de humilhação pública como forma de punição social.
Em primeiro plano, é preciso atentar para o juízo de autoridade de justiça que é compartilhado entre a população. Nesse contexto, no livro “Sobre a Liberdade” escrito pelo filósofo John Stuart Mill, o autor escreve que: " A tirania da opinião pública é perigosa à liberdade “. De maneira análoga, percebe-se que os linchamentos virtuais têm por motivos claros o pensamento tirano das pessoas por se julgarem competentes ao julgar as demais, mediante suas ações compartilhadas no ambiente virtual. Por exemplo, pode-se citar a “cultura do cancelamento”, que é o ato de boicotar alguém mediante algum posicionamento considerado ofensivo, como o racismo, “cancelando” a pessoa subjugada e ferindo a sua honra.
Além disso, os motivos e as consequências dos linchamentos virtuais encontram terreno fértil no legado histórico de humilhação pública como forma de punição social. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, os linchamentos virtuais e suas motivações e seus efeitos na atualidade, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas à história mundial, o que dificulta sua resolução. Por exemplo, um fato histórico que comprova esse legado está relacionado ao esquartejamento, em praça pública, de Tiradentes, mártir brasileiro que sofre com essa herdade.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC deve desenvolver palestras em escolas, a serem Webconferências nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com vítimas do problema e especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o tema e erradicar esse problema, dando fim ao legado cultural e histórico que impede o desenvolvimento e equidade social.