Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 01/10/2020
Com a explosão da bolha da internet, e massificação do seu uso a partir dos anos 2000, o fluxo de informações e o processo de comunicação tornaram-se instantâneos. Nesse viés, intrínseco a essa evolução, vieram problemas como os linchamentos virtuais- caracterizados pela violência contra um, por uma multidão, com intuito de punir. Esses atos são motivados tanto pela falta de uma legislação vir-
tual eficaz, que penalize a ação do linchamento digital, quanto pela fragilidade civil - ao que tange uma consciência coletiva sustentada pelo falso ideal de propriedade de julgamento.
Previamente, a ineficácia de políticas atuantes no combate ao linchamento virtual motivam a prática. Nessa lógica, essa problemática permanece na sociedade não apenas em âmbito digital, como também afetando as áreas profissional e familiar da vítima, bem como a saúde e bem estar constitucionalmente defendidos. Tal mazela é considerada nociva em uma proporcionalidade que, de acordo com o site G1 notícias, grandes “startups” da internet - Google, Facebook, Youtube e Instagram- juntaram-se para desenvolver tecnologias e esforços no combate aos discursos de ódio on-line. Esses atos contrastam a gravidade do problema e explicitam iniciativas do setor privado em detrimento a inércia governamental. Assim, é fundamental o desenvolvimento educativo em tecnologias para fomentar as ações privadas.
Em segundo plano, o conceito de “justiça com as próprias mãos” também marca o peso dessa pro-
blemática. Isso é um fato, uma vez que julgar, mesmo sem propriedade, oferece sentimentos de alívio e prazer em reduzir, consequentemente, a identidade do outro ao erro cometido. Dessarte, um persona-
gem da série ficcional “West World” afirma que a humanidade é, no período hodierno, o resultado de sequências de erros. Na realidade essa afirmação se faz verídica em vários artigos científicos. Nessa perspectiva, determinados equívocos são necessários para construção da moralidade e autoconheci-
mento. Não obstante, a persistência nesses ideais errôneos devem ser punidos. Todavia, as repressões devem ser feitas por políticas regulamentadas e não por agressividades das massas em redes virtuais.
Logo, fica claro que é impreterível sanar as bases que motivam o comportamento dos linchamentos na internet. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pela tecnologia e educação, devem elaborar um programa que feche parcerias com grandes empresas tecnológicas como as supracitadas. Tal proje-
to irá punir praticantes de discurso de ódio através de “softwares”, usados por essas corporações para detectar e, em seguida, denunciar automaticamente para uma delegacia especializada. As punições devem variar de multas proporcionais à violência, até reclusão social. Dessa maneira, por meio da tecnologia e esforços governamentais, o fito em acabar com essa mazela, somado à adição de
ensino ético virtual ao alicerce educacional, será atingido.