Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 03/10/2020
Ao longo da civilização, a espetacularização da degradação e do sofrimento humano tem se expressado através de punições populares. Sob essa ótica, a cultura do cancelamento se revela mais uma perversão punitiva em que a euforia de acusar sobrepõe as circunstâncias dos fatos e gera efeitos colaterais perigosos. É
É importante observar que o suplício da era medieval, o espetáculo Damnatio ad Bestias no Coliseu, e os linchamentos populares — embora em diferentes momentos da história — denotam o envolvimento popular em julgamentos cruéis como forma de divertimento. Dessa forma, o linchamento virtual constitui a maneira moderna de condenação popular, sem direito à defesa e retratação do acusado.
Ao analisar desdobramentos de casos como o de Fabiana Maria de Jesus, mulher linchada e morta ao ser confundida com o retrato falado de uma suposta sequestradora de crianças divulgado nas redes sociais, bem como o caso da blogueira Alinne Araújo, que após ter sido deixada pelo noivo, decidiu realizar o casamento sozinha e foi alvo de ataques virtuais ao e registrar tudo em suas redes sociais. Os ataques à Alinne culminaram em seu suicídio.
O Ministério Público deve criar mecanismos para dinamizar a investigação de denúncias, através de canais de atendimento, fazendo valer a norma infraconstitucional de número 12.956/14, visto que a lei supracitada determina as diretrizes do comportamento dos usuários na internet, penalizando de forma técnica e cabível, ofensas, calúnias e crimes de ódio. Além disso, o Governo Federal deve realizar campanhas de informação ao cidadão, através de publicidade em outdoors e televisão. Essas medidas devem ser tomadas a fim de mitigar linchamentos virtuais e evitar seus possíveis desdobramentos.