Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 29/09/2020

No ano de 2018, o youtuber Cocielo foi intensamente criticado nas redes sociais após fazer comentários supostamente racistas em seu perfil. A situação foi de debates acalorados para xingamentos pessoais e ameaças de morte contra o influenciador. Esse evento é mais um entre tantos outros linchamentos virtuais, que têm sido intensificados nos anos recentes. Ainda que, no caso de Cocielo, a perseguição tenha exposto algo inaceitável como o racismo, a sua continuidade contribui para a depredação dos espaços de entretenimento na rede e, por isso, é necessário compreender o que motiva a permanência de tal prática nesse espaço.

Primeiramente, o anonimato viabiliza a prática de ataques em espaços virtuais. Isso decorre do fato de que a ausência de informações reais sobre o usuário o encorajam a agir de modo diferente ao que é imposto pelas leis em ambientes fora da internet. Isso, somado à moderação ineficiente das companhias responsáveis por mídias sociais, cria um espaço onde a livre expressão passa dos limites e se transforma em armas capazes de causarem prejuízos físicos e mentais a quem elas são direcionadas durante os linchamentos virtuais.

Em função disso, espaços virtuais perdem o intuito inicial, que é entreter, e geram insegurança em seus usuários. Por conseguinte, espaços virtuais são transformados em locais antidemocráticos e os debates são suprimidos, condição que, segundo a concepção platônica de política coloca entraves no desenvolvimento da sociedade e inviabiliza a realização do bem estar comum. Ademais, a permissividade para que os linchamentos virtuais continuem a recorrer trata de tornar habitual a violência entre as relações humanas, uma vez que não há punição eficiente para quem a pratica.

Diante disso, depreende-se a necessidade de intervir sobre a dinâmica de interação nas redes sociais, o que deverá ser realizado mediante as seguintes medidas. Ao Ministério da Justiça cabe a imposição do reforço das políticas de moderação sobre as empresas responsáveis pelas plataformas de convívio digital, com o objetivo de inviabilizar a permanência dos assaltos virtuais coletivos e de outras práticas que possam perturbar a experiência de interação entre os internautas. À Sociedade Civil Organizada compete a realização de palestras em espaços midiáticos, pautadas na conscientização da população acerca do perigo que palavras podem causar e da importância que a denúncia possui para o combate a violência nas mídias sociais. Assim, o espaço virtual será mais receptivo aos seus usuários e a internet poderá servir com máximo potencial às suas funções iniciais: promover o entretenimento e possibilitar o progresso da humanidade.