Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual
Enviada em 30/09/2020
Em seu livro vigiar e punir, Michel Foucault escreve sobre sua teoria do panóptico, na qual diz que as pessoas se vigiam o tempo todo para caso alguém descumpra a lei seja punido. Trazendo esse conceito para a sociedade contemporânea, percebe-se uma situação análoga em que os indivíduos estão constantemente monitorando uns aos outros nas redes sociais, esperando por algum descuido para praticar uma espécie de linchamento virtual, que muitas vezes desencadeiam consequências irreversíveis.
Vale ressaltar, em primeiro plano, que as redes sociais foram um grande avanço na telecomunicação, mas que vem sendo usadas erroneamente para propagar ódio gratuito por meio de mensagens ofensivas provocadas por uma publicação ou um simples tuíte. Dessa forma, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman as redes sociais são muito úteis, oferecem serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha. Nesse sentido, o poder que as pessoas possuem em suas mãos levam-nas a agirem como bem entendem por se sentirem seguras atrás da tela de um celular ou computador, como se suas ações fossem impuníveis.
Em segundo plano, evidencia-se a gravidade de tais atitudes que geram milhares de comentários perversos que podem levar a uma depressão profunda ou até mesmo o suicídio da vítima. Ademais, como se não bastasse os problemas psicológicos, surgem os sociais, em que a pessoa fica manchada na sociedade, sendo sempre lembrada por aquilo que foi linchada, podendo prejudicar sua vida no futuro, principalmente na disputa por uma oferta de emprego.
Conclui-se, portanto, que o linchamento virtual se tornou um grande problema na sociedade atual. Cabendo ao governo em colaboração com a mídia, investir em órgãos públicos especializados em crimes virtuais, que tornem a identificação e a punição do agressor muito mais fácil, e então entra a mídia, criando campanhas públicas a respeito da penalidade de quem comete tais atos, objetivando conscientizar os malfeitores de que suas ações possuem consequências e não estão mais tão seguros atrás da tela do celular para fazerem o que quiserem.