Linchamentos virtuais: o que motiva os atos e a gravidade desse comportamento na sociedade atual

Enviada em 29/09/2020

O fortalecimento do Ciberativismo - ativismo virtual - e da cultura do cancelamento tem sido fatores relevantes na modernidade. Com o advento do Sars-CoV-2 (Coronavírus), a crise de recessão provocada pelo necessário isolamento social confinou os brasileiros em suas moradias, levando ao aumento do uso tecnológico. Consoante, a tecnologia que, segundo Steve Jobs, move o mundo, torna-se constitutiva em meio a pandemia vivenciada, sendo responsável pela comunicação e evitando o risco de contaminação. Contudo, segundo Pierre Lévy, toda nova tecnologia tende a gerar seus excluídos, assim, notável uma vez que, no quesito legislativo, esse ambiente carece de investimentos. Dessa forma, é visível que, apesar de atuar como motor atual do mundo, o ambiente virtual, quando usado de forma indevida, atua, também, como catalisador da violência e exclusão.

Primeiramente, é perceptível o ambiente virtual como fator necessário em meio a adversidade vivenciada e o alto investimento nesse mesmo setor. Isso, visto que, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Software, o Brasil, como nono colocado na lista de maiores investidores do mundo, injeta, por ano, aproximadamente 61 bilhões de dólares. Desse modo, evidencia-se como fator primordial no combate a curva epidemiológica - que mede a quantidade de infectados pelo Coronavírus.

Em contrapartida, nota-se que tais investimentos não atuam de forma democrática, tendo em vista que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa, 1 em cada 4 brasileiros não possui acesso à internet  para usufruir dos benefícios. Tais fatores atuam paralelamente à ineficácia das Leis Virtuais - como a Lei Carolina Dieckmann, que atua na proteção de informações pessoais - permitindo que diversas ações, consideradas criminosas, fiquem impunes, excitando a violência.

Portanto, é notório a importância da renovação legislativa no combate ao linchamentos virtuais, esses mesmos provocados pela impunidade e a falta de democracia nesses ambientes. Destarte, é essencial que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - órgão responsável pela gestão dos mecanismos que gerem o ambiente virtual e suas inovações, em parceria com o Poder Legislativo - parcela do poder público responsável pela criação e edição das Leis Brasileiras, criem e apliquem sistemas de punição eficazes, por meio de políticas públicas que incentivem denúncias, a conscientização da população sobre o respeito entre os internautas e novas leis que atuem contra a violência, trazendo a punição para o ambiente físico, para que haja instituição legislativa sólida no ambiente virtual, a fim de que a tecnologia continue movendo o mundo, como dito por Steve Jobs, mas amenizando a parcela de excluídos, dita por Pierre Lévy.